Muitos imigrantes de Gana e outros países do continente africano decidiram buscar uma vida melhor na Europa, e hoje moram em assentamentos informais no sul do país europeu.
Sem documentos regularizados, vivem uma rotina de incerteza, moradia precária e falta de estrutura básica, recebendo cerca de 5 euros (R$30,05) por hora em empregos precários.
Em diferentes relatos divulgados pela mídia local resumem como brutal o contraste entre a expectativa de uma vida digna na Europa e a realidade que encontraram na Espanha.
Rotina dura nos assentamentos improvisados na Espanha
Muitos bairros erguidos às pressas, com tijolos, argamassa, pneus e pedaços de plástico reaproveitados, abrigam centenas de pessoas.
Os assentamentos não tem eletricidade nem água encanada, uma realidade pouco esperada dentro do continente europeu.
Há pelo menos quatro núcleos parecidos na região de Níjar, a nordeste da cidade de Almería.
O ambiente é hostil, mas voltar ao país de origem depois de uma jornada tão longa se tornou praticamente inviável para esses imigrantes.
A agricultura intensiva que sustenta esses trabalhadores movimenta uma produção agrícola gigantesca: Almería produz anualmente mais de 3,5 milhões de toneladas de alimentos.
Essa escala de cultivo depende fortemente da irrigação em uma região de clima seco.
O aquífero de Níjar vem sendo explorado acima de sua capacidade de regeneração há mais de duas décadas.
Essa escala de produção intensiva traz desafios ambientais relacionados ao consumo hídrico da região.
Reação política à chegada de migrantes
No fim de julho, homens, mulheres e crianças cruzaram a fronteira entre Marrocos e a cidade autônoma de Ceuta.
A entrada de migrantes na cidade deixou 57 mortos, e as imagens da travessia viraram munição para políticos populistas.
Movimentos contrários à imigração em diferentes países da União Europeia usaram as imagens para amplificar argumentos contra a migração.
Governos de linha mais conservadora criticaram a gestão espanhola sobre o tema.
Organizações humanitárias também passaram a ser alvo de acusações de que estimulariam a chegada de mais pessoas.
A Itália chegou a suspender temporariamente por um mês o acordo Schengen com a Espanha.
A suspensão durou um mês, em meio a divergências sobre como lidar com a questão migratória.
Episódios de violência também marcaram o debate: protestos xenófobos contra migrantes em Torre Pacheco deixaram pelo menos cinco feridos e resultaram em oito prisões.
O trabalho de instituições religiosas na região
Em Almería, a irmã Francisca, de 80 anos, coordena a atuação local das Irmãs Mercedárias da Caridade, comunidade católica que oferece apoio a quem chega sem recursos.
Diante das críticas, ela rejeitou a ideia de que a instituição atraia novos imigrantes.
Segundo ela, ninguém embarca numa travessia dessas por um prato de comida.
O que essas pessoas buscam é dignidade. E a chance de um emprego capaz de sustentar a própria família e ainda enviar dinheiro para quem ficou.
A entidade oferece aulas de idioma, oficinas de qualificação profissional e cestas básicas doadas por supermercados e instituições de Caridade locais.
O governo espanhol colocou em prática um programa de anistia que oferece regularização a quase 500 mil imigrantes indocumentados que estejam no país há pelo menos cinco meses.
Enquanto o debate político segue dividido, moradores como Foster continuam trabalhando nas estufas que abastecem supermercados em toda a Europa.








