Balneário Camboriú acaba de abrir seu mercado imobiliário para além da orla.
Com a aprovação da Lei do Microzoneamento, torres de até 150 metros poderão ser erguidas em eixos urbanos localizados fora da orla e do Centro.
Com isso, o adensamento deixa de se concentrar apenas na orla e no Centro e passa a se espalhar por outras regiões, enquanto a cobrança de outorga onerosa continua sendo a principal fonte de recursos para obras de mobilidade e infraestrutura.
Já a Lei de Uso e Ocupação do Solo favorece projetos em glebas de maior porte, combinando em um só empreendimento moradias, comércio, serviços e espaços de convivência.
Lei do Microzoneamento abre mercado imobiliário dos bairros de Balneário Camboriú
As regiões que já contam com boa infraestrutura e fácil acesso tendem a ser as primeiras a receber empreendimentos de grande porte.
Terrenos que ficaram subutilizados passam a ter potencial de desenvolvimento imobiliário.
A transformação tende a atrair incorporadoras para regiões que ainda não estavam no mapa dos investidores e antecipa movimentos de valorização em endereços fora das zonas mais tradicionais.
Áreas com comércio, serviços consolidados e terrenos com tamanho adequado podem atrair os primeiros grandes projetos.
Especialistas em investimentos imobiliários indicam que a transformação de outras regiões pode se estender por anos, já que cada localidade tem peculiaridades que exigem análise específica.
Unidades de cerca de 90 metros quadrados, hoje raras nas zonas frente-mar e central mais caras, podem ganhar viabilidade fora desses polos.
Profissionais liberais, empresários e famílias que moram na cidade mas não buscam imóveis acima de R$ 5 milhões podem encontrar opção nesse novo espaço, segundo a expectativa do especialista.
Segundo especialistas, o valor desses imóveis nos novos corredores deve variar entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,8 milhão, a depender de fatores como localização, padrão da construção e preço do terreno.
Os empreendimentos com mais potencial de valorização serão aqueles que reunirem viabilidade econômica, boa estrutura urbana e conexão eficiente com o restante da cidade.
Lei exige compensações e abre oportunidades de arrecadação
O zoneamento excepcional impõe que torres ocupem no máximo 30% do terreno em lotes específicos, mantendo os outros 70% como áreas de uso público ou coletivo.
Esse mecanismo garante que o crescimento vertical não comprometa a mobilidade e a qualidade urbana.
Em 2025, Balneário Camboriú arrecadou R$ 135 milhões com a outorga onerosa, contrapartida financeira que incorporadoras pagam para obter potencial construtivo adicional.
A prefeitura planeja usar essa receita para reurbanizar a Praia Central, ampliar a Avenida Martin Luther e melhorar os acessos viários da cidade.
Quase 20 anos separam o regramento anterior do novo que foi aprovado agora.
A atualização reconhece que a cidade evoluiu e precisa de ferramentas urbanísticas que acompanhem a realidade atual do mercado imobiliário.
Balneário Camboriú é conhecida como a “Dubai brasileira” por concentrar alguns dos edifícios mais altos do Brasil, já que possui 8 dos 10 prédios mais elevados do país, segundo levantamento do setor.
A prefeitura promete enviar legislação específica voltada para moradia acessível nas próximas semanas, ampliando as oportunidades de desenvolvimento equilibrado.








