A inadimplência de empresas brasileiras bateu recorde histórico em junho de 2026, com 9,1 milhões de CNPJs negativados e R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso.
Divulgados pela Serasa Experian, os números marcam o pico da série iniciada em 2016. O valor supera os R$ 229,9 bilhões registrados em maio do mesmo ano.
A situação afeta principalmente micro e pequenos negócios, responsáveis por 95% das empresas inadimplentes, cerca de 8,7 milhões de CNPJs.
Cada empresa inadimplente tem, em média, 7,3 contas vencidas com bancos, fornecedores ou prestadores de serviços básicos. A dívida média é de R$ 25.508,96 por empresa.
Empresas de serviços concentram maior inadimplência
O setor de serviços concentra a maior proporção de empresas inadimplentes, representando 55,7% do total analisado em junho.
O comércio aparece em segundo lugar, com 32,2% do total.
A redução do poder de compra das famílias e da demanda por serviços intensificou a crise de fluxo de caixa nesses segmentos.
O caso do restaurante Frango Cheff, revelado pelo jornal O Globo, exemplifica essa realidade. O restaurante é especializado em galetos na Zona Norte do Rio.
A empresa acumula atrasos em contas de luz, em dois cartões de crédito e no cheque especial.
Também foi impedido de fazer compras a prazo com seu principal fornecedor e enfrenta dificuldades com impostos.
A queda na demanda superou a registrada durante a pandemia de Covid-19. A venda mensal de frango caiu de cerca de uma tonelada para a metade ou menos.
Esse cenário se repete em outros segmentos de serviços, com pequenas empresas relatando redução na demanda tanto no atendimento local quanto em plataformas de entrega.
A concorrência agressiva de supermercados e os custos elevados das plataformas de entrega também pressionam o fluxo de caixa das pequenas empresas.








