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Pesquisa revela comportamentos que definem se uma pessoa é ou não viciada em jogos

Por Júlio Nesi
16/07/2026
Em Geral
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Imagem meramente ilustrativa.

Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels

Passar horas intermináveis diante de uma tela é suficiente para diagnosticar vício em jogos? A resposta, segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), é não. Um estudo publicado em junho de 2026 na revista Trends in Psychology revela que o tempo de tela, isoladamente, não define o chamado “Transtorno do Jogo“.

De acordo com os especialistas e pesquisadores, o fator determinante identificado pelos cientistas foi a impulsividade, um traço psicológico que transforma o lazer em patologia.

A investigação, liderada pelo Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências da Unesp, câmpus de Bauru, avaliou 290 brasileiros e desafiou a noção comum de que a quantidade de horas jogadas é, por si só, um indicativo de doença.

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Os resultados mostram que a dependência é um fenômeno em que a perda de controle e a busca por recompensas imediatas pesam muito mais do que o relógio.

Limiar das 17 horas

Os pesquisadores estabeleceram um marco para melhor definir o possível vício: níveis elevados de impulsividade começam a aparecer consistentemente em participantes que jogam mais de 17 horas por semana.

Neste patamar, a capacidade de adiar gratificações diminui drasticamente quando a recompensa envolve o jogo, diferentemente de situações que envolvem dinheiro.

No entanto, o estudo também traz um dado para quem joga moderadamente: indivíduos que dedicam menos de 5 horas semanais aos games possuem uma chance 17 vezes menor de desenvolver o transtorno em comparação ao grupo de alta exposição.

Para o grupo intermediário (entre 5 e 17 horas), o risco ainda é 12 vezes menor. “Só o tempo de jogo não diz se alguém sofre do transtorno de jogo, assim como o nível de impulsividade isolado também não demonstra o problema. É preciso estabelecer uma associação entre essas duas dimensões”, explica Alexandre Cintra, autor do estudo.

Como o estudo foi feito?

Para chegar a essas conclusões, a equipe submeteu os voluntários a testes práticos de escolha. Eles deveriam decidir entre recompensas imediatas menores e recompensas maiores no futuro.

A descoberta-chave foi que, diante da opção de tempo de jogo, os participantes tornavam-se significativamente mais impulsivos do que quando a escolha envolvia valores monetários.

Esse comportamento sugere uma alteração específica no sistema de recompensa cerebral ligado ao ato de jogar, em que a necessidade de satisfação imediata supera o julgamento racional, caracterizando o início de um ciclo vicioso.

Impacto

Com mais de 70% da população brasileira jogando regularmente, a distinção entre “jogador entusiasta” e “dependente” é crucial para evitar estigmas desnecessários.

O Transtorno do Jogo, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), causa prejuízos ao trabalho, aos estudos e ao convívio social, mas afeta apenas uma parcela dos usuários intensivos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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