Cinco dias depois de anunciar o recurso, a Meta suspendeu, nesta sexta-feira (10), a possibilidade de gerar imagens por inteligência artificial a partir de fotos de contas públicas do Instagram.
A ferramenta, batizada de Muse Image e lançada na última quarta-feira (8) pelo Meta Superintelligence Labs, havia sido criticada por permitir o uso de fotos de terceiros sem consentimento explícito.
Pela configuração original, qualquer usuário maior de 18 anos podia mencionar, dentro do Meta AI, uma conta pública do Instagram para que a inteligência artificial gerasse uma nova imagem com base nas fotos daquele perfil. O dono da conta usada como referência não recebia nenhuma notificação sobre o uso de suas imagens.
O que a Meta disse sobre a decisão
Em comunicado oficial, a empresa afirmou:
“Anunciamos que uma das maneiras de gerar imagens no Meta AI seria marcando contas públicas do Instagram com @ para referência. Nossa intenção era fornecer uma ferramenta criativa útil e dar às pessoas controle sobre se seu conteúdo público poderia ser referenciado dessa forma. Recebemos feedbacks de que esse recurso não atingiu o objetivo, portanto, ele não está mais disponível.”
A companhia não se manifestou sobre eventual responsabilização por violações de privacidade já ocorridas enquanto o recurso esteve ativo.
A suspensão afeta apenas a função de referenciar contas de terceiros.
O Muse Image segue funcionando normalmente para gerar imagens a partir de descrições em texto e para editar fotos enviadas pelo próprio usuário, além de alimentar efeitos criativos para Stories no Instagram.
Parte de um debate mais amplo sobre responsabilidade das plataformas
O episódio reacende a discussão sobre privacidade, consentimento e responsabilidade das big techs no uso de inteligência artificial.
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) já sinalizou a intenção de criar normas para que plataformas digitais garantam um ambiente seguro aos usuários, tema que ganha força à medida que recursos de IA generativa se espalham pelos aplicativos mais usados no país.
Um recuo rápido, mas não o primeiro
A Meta já havia revisado outros lançamentos de IA em prazo curto no passado, diante de reações negativas do público. O episódio reforça um padrão da empresa: lançar recursos de forma ampla e ajustar ou recuar rapidamente conforme a repercussão, em vez de restringir o público de testes antes do lançamento total.








