Uma chance de 1 em 77 octilhões. Foi essa a probabilidade calculada por um analista de mercado para explicar um salto repentino nas reproduções da música “Earrings”, do cantor americano Malcolm Todd, que a levou ao topo do ranking diário do Spotify nos Estados Unidos, no fim de junho deste ano.
O tamanho da improbabilidade acendeu um alerta na plataforma de streaming.
Depois de investigar o crescimento, o Spotify concluiu que parte das reproduções havia sido gerada por bots, programas de computador criados para tocar a mesma música repetidamente e inflar artificialmente o número de execuções.
A plataforma removeu mais de 500 mil streams da faixa, que caiu da primeira para a quarta posição do ranking.
O que as apostas têm a ver com isso
A suspeita é que apostadores tenham usado esses robôs para manipular o resultado de um mercado de previsões chamado Kalshi, site em que é possível apostar em acontecimentos futuros, incluindo qual música vai liderar as paradas de streaming.
Na semana anterior ao salto, a chance estimada de que a canção de Todd chegasse ao topo era de apenas 2,5%. Quem apostou nesse resultado teria lucrado cerca de 20 vezes o valor investido.
Artista não é suspeito de participação
Segundo o Spotify, não há indícios de que Malcolm Todd ou sua equipe tenham qualquer relação com a manipulação identificada. A companhia afirmou que reproduções consideradas artificiais não geram pagamento de direitos autorais aos artistas.
Após o episódio, o Spotify pediu que a Kalshi e outra plataforma de apostas, a Polymarket, retirassem a logomarca do serviço de streaming de seus sites, reforçando que não existe parceria entre as empresas.
Em resposta, a Kalshi afirmou estar apurando o caso em conjunto com o Spotify, mas ainda não detalhou o que pretende fazer com os valores já pagos às pessoas que apostaram no resultado manipulado.








