O governo de Donald Trump prepara uma nova etapa na fiscalização migratória em locais de trabalho nos Estados Unidos, e a medida deve atingir diretamente a comunidade brasileira no país.
De acordo com a imprensa estadunidense, o plano reúne o Departamento de Segurança Interna e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos em uma estratégia para ampliar o número de prisões de imigrantes em situação irregular.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna afirmou que houve aumento nas apurações relacionadas a fraudes, como fraude em benefícios públicos e roubo de identidade, além de outras violações da legislação migratória.
Assim, além da detenção de trabalhadores sem documentação, o plano também prevê orientar empregadores sobre suas responsabilidades na contratação de funcionários, e intensificar a fiscalização de empresas suspeitas de descumprir as leis de imigração.
Como isso afeta os brasileiros?
Segundo analistas, essas novas medidas podem ameaçar a estadia de diversos brasileiros que moram em solo estadunidense. De acordo com o Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil, as deportações de brasileiros saltaram de 1.648 casos em 2024 para 3.294 em 2025, o maior número da série histórica analisada pelo observatório.
O jornal O Globo, também citado pelo observatório, apurou que o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) já deteve quase 10 mil brasileiros nos Estados Unidos ao longo dos últimos cinco anos.
Outro ponto de atenção diz respeito ao perfil de quem é detido. Segundo o Conselho Americano de Imigração, aproximadamente 73% dos imigrantes detidos nos Estados Unidos não têm antecedentes criminais. Para analistas, isso aponta o risco de que a fiscalização pode atingir trabalhadores brasileiros sem histórico de infrações.
Aumento nas “batidas”
O ritmo das operações também cresceu neste ano. Segundo autoridades americanas, o ICE chegou a cerca de 2 mil prisões por dia, enquanto as deportações já ultrapassam a média de 3,2 mil pessoas por dia em todo o país.
Especialistas ouvidos pela imprensa americana afirmam que a intensificação da fiscalização pode afetar setores que dependem fortemente de mão de obra imigrante, como agricultura, construção civil, indústria e hotelaria, áreas em que trabalhadores brasileiros também costumam atuar nos Estados Unidos.




