Dois dias após a eliminação da seleção alemã nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, mais de 150 investigadores do Departamento de Polícia Criminal da Renânia do Norte-Vestfália realizaram buscas na sede da Federação Alemã de Futebol (DFB), em Frankfurt, na quarta-feira (1º).
A operação também atingiu prefeituras e administrações municipais nas cidades que sediaram partidas da Eurocopa de 2024, tornada pública numa semana especialmente turbulenta para o futebol do país.
Essa investigação apura suspeitas de “tratamento preferencial estruturado” na distribuição de ingressos e pacotes de hospitalidade durante a Euro, o que pode configurar suborno.
A procuradoria de Bochum, responsável pelo caso, informou que um funcionário de uma das cidades-sede teria recebido “benefícios indevidos” de pessoas ligadas à estrutura organizadora do torneio.
Dois homens estão no centro da investigação: um francês de 46 anos, responsável pelas relações com as cidades-sede dentro da empresa organizadora do torneio, é suspeito de ter convidado representantes municipais para assistir a jogos de grande destaque.
O outro investigado é um alemão de 66 anos, ex-servidor da prefeitura de Gelsenkirchen, apontado pelo jornal Bild como o beneficiário de vantagens avaliadas em cerca de 2,4 mil euros, incluindo convite para a semifinal entre Espanha e França em Munique, além de despesas de viagem e hospedagem.
A empresa investigada
As buscas miraram a Euro 2024 GmbH, joint venture criada pela DFB e pela UEFA especificamente para organizar o torneio, com maioria de controle da UEFA e instalada nas antigas dependências da federação alemã, em Frankfurt.
Cidades como Berlim, Hamburgo, Stuttgart, Munique, Dortmund, Düsseldorf, Colônia e Gelsenkirchen também foram alvo da operação.
O que a DFB disse
A federação confirmou as buscas e informou que colabora com as autoridades na condição de testemunha. Segundo a DFB, a investigação não mira a entidade como organização suspeita, nem funcionários ou dirigentes seus.
A Procuradoria-Geral da Alemanha recusou-se a fornecer mais detalhes e afirmou que os investigados ainda não tiveram oportunidade de se pronunciar.
O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, defendeu a operação: “Eventos esportivos de grande porte dependem da confiança do público.”




