As 5 acusações dos EUA contra Maduro e Cília Flores
Nova acusação detalha casos de tortura envolvendo opositores, recursos provenientes do narcotráfico e corrupção na PDVSA
O ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram formalmente acusados nesta quinta-feira, 8, por cinco crimes nos Estados Unidos.
A nova acusação, apresentada pela Promotoria dos EUA, inclui conspiração de narcoterrorismo, conspiração para cometer tortura, tráfico de drogas, posse de metralhadoras e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
A novidade no documento é a acusação de conspiração para cometer tortura com o objetivo de se manter no poder.
Segundo os promotores, Maduro e Cilia Flores teriam supervisionado um sistema de repressão que utilizava detenções arbitrárias, violência e tortura contra opositores políticos.
“Ele autorizou o uso de tortura contra indivíduos específicos e supervisionou um sistema concebido para usar tortura, detenção arbitrária e violência como meios de repressão contra a oposição política”, diz um trecho do documento.
A peça afirma que a tortura incluía “choque elétrico, asfixia, estupro, nudez forçada, isolamento prolongado, inanição, celas de castigo e tortura psicológica, como ameaças de ferir e matar familiares das vítimas, inclusive crianças”.
Relato de tortura
Em novembro de 2013, segundo a acusação, Maduro ordenou a prisão de um oficial militar suspeito de se reunir com um ex-alto funcionário contrário a Hugo Chávez e ao próprio ditador.
A ordem, de acordo com o documento, era que o militar “fosse sequestrado para pressionar” esse opositor “e fazer dele um exemplo”.
O homem foi levado para um acampamento das FARC, na Colômbia, onde, segundo a acusação, foi torturado com “choques com fio elétrico ligado 20 vezes”.
Ainda de acordo com o relato, a vítima foi agredida com “um cinto e o que parecia ser um cano” e teve a cabeça colocada na água para simular afogamento, aproximadamente 30 vezes.
No acampamento, os torturadores teriam ameaçado sequestrar e estuprar a filha do homem caso ele não confessasse.
Os oficiais também mostraram à vítima uma roupa que seria da filha dele.
Depois de duas semanas, segundo a acusação, ele foi forçado a gravar uma confissão falsa.
Narcotráfico
O documento também relata como Maduro e Cilia Flores teriam acumulado recursos provenientes do narcotráfico.
A partir de 2006, ainda durante o governo de Hugo Chávez, o casal teria ordenado a membros de suas equipes de segurança que sequestrassem e assassinassem pessoas que deviam dinheiro relacionado ao tráfico de drogas.
De acordo com a acusação, Maduro ordenou a morte de um chefe do tráfico de Caracas que havia atrasado um pagamento.
Quando agentes de segurança eram suspeitos de deslealdade, também seriam alvo de violência.
Em 2010, Maduro e Cilia Flores teriam desconfiado de um agente identificado como Oficial-1, que trabalhava para o casal havia anos no tráfico e em ações violentas.
Eles suspeitaram que o homem tivesse roubado entorpecentes de um carregamento.
Naquele episódio, segundo a acusação, Maduro teria ordenado que a Guarda Nacional Bolivariana o torturasse dentro de um reboque militar.
O homem teria sido amarrado, golpeado com uma pá e com coronhas de fuzil, chutado na virilha, baleado na perna e estuprado com um cabo de vassoura.
Grupos terroristas
A acusação também relata que Maduro teria financiado grupos classificados pelos Estados Unidos como terroristas.
De acordo com o documento, o ditador se reuniu com a liderança das FARC para tratar de uma dívida relacionada ao tráfico de drogas.
Para pagar parte do valor, Maduro teria concordado em vender minas explosivas e outras armas às FARC, o que, segundo a acusação, aumentaria a capacidade do grupo de combater o governo colombiano.
As vendas teriam continuado até 2015, incluindo minas fabricadas em Cuba.
“De modo semelhante, em aproximadamente 2017, CC-3 ordenou a membros da DGCIM que transportassem armas em troca de carregamentos de cocaína da Guarda Nacional Bolivariana para membros das FARC e do ELN, outra organização terrorista dedicada à derrubada violenta do governo democraticamente eleito da Colômbia”, diz um trecho da acusação.
Segundo o documento, militares venezuelanos levavam a cocaína, que normalmente ocupava de três a quatro caminhões militares, para uma base militar e, posteriormente, para um porto, de onde era embarcada para fora da Venezuela.
Corrupção
A acusação afirma ainda que o casal e outros altos funcionários desviavam recursos de órgãos públicos por meio de contratos corruptos.
A estatal que teria sido mais afetada era a PDVSA, a petrolífera venezuelana.
O promotor afirma que Maduro utilizava a empresa para facilitar o tráfico de drogas.
Em 2015, segundo a acusação, o filho do ditador, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, utilizou um avião da PDVSA para transportar drogas.
“Essa corrupção era particularmente prevalente na empresa petrolífera estatal Petróleos de Venezuela, S.A. (“PDVSA”), e envolvia contratos corruptos que eram referidos pela liderança da PDVSA como “política de Estado” estabelecida por MADURO MOROS”, diz o documento.
A acusação afirma ainda que a liderança venezuelana utilizava a PDVSA para facilitar o tráfico de drogas e cita o uso de uma aeronave da estatal por Nicolás Maduro Guerra para transportar entorpecentes protegidos pela Guarda Nacional Bolivariana.
Venezuela sem Maduro
Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças americanas em 3 de janeiro, em Caracas.
O ditador comandou a Venezuela de 2013 até a data da captura.
Desde então, o país é administrado por sua ex-vice-presidente, Delcy Rodríguez.
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