Chefe da Comissão Europeia propõe o Canadá como associado do bloco
Comissão Europeia propõe o Canadá como associado do bloco e mira defesa, energia e tecnologia, sem cadeira de país membro
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, propôs nesta quarta-feira que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia, durante discurso anual sobre o Estado da União no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, estava presente na plateia e recebeu uma ovação de pé dos parlamentares após o anúncio, levantando-se para abraçar von der Leyen.
"Eu gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da União Europeia", disse von der Leyen, dirigindo-se a Carney.
A proposta surge em meio à guerra comercial entre Canadá e Estados Unidos, agravada pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e por suas repetidas declarações sugerindo que o Canadá poderia se tornar o 51º estado americano.
Ottawa busca uma aproximação econômica e de segurança com a Europa como forma de reduzir sua dependência do mercado americano.
Não existe hoje uma categoria legal de membro associado prevista nos tratados da União Europeia. Qualquer arranjo desse tipo precisaria ser negociado do zero e aprovado por unanimidade pelos 27 países do bloco e não ofereceria ao Canadá o lugar de país membro, com voto nas instâncias do bloco.
O que está na mesa é um estatuto novo, ainda sem regras sobre voz, mercado ou defesa, e que Ottawa já descreveu como aliança, não como adesão.
Von der Leyen já havia enfrentado resistência em maio, quando o chanceler alemão Friedrich Merz sugeriu um status semelhante para a Ucrânia, ideia recebida com pouco entusiasmo pelos demais membros.
O Canadá e a União Europeia já mantêm um acordo de livre comércio desde 2017, o CETA, que eliminou quase 99% das linhas tarifárias entre as partes. O acordo, porém, segue em aplicação provisória.
Dos 27 países da União Europeia, 17 já concluíram a ratificação nacional do CETA, enquanto 10 ainda precisam fazê-lo, entre eles França, Itália, Polônia, Bélgica, Bulgária, Grécia, Chipre, Hungria, Irlanda e Eslovênia. Em 2024, o comércio bilateral de bens e serviços entre Canadá e União Europeia somou 161,9 bilhões de dólares canadenses.
Segundo von der Leyen, o bloco pretende transformar o CETA em uma "Aliança para o Futuro", ampliando a cooperação para áreas como inteligência artificial, mudança climática, Ártico, energia, minerais críticos, manufatura avançada, defesa, computação quântica e segurança cibernética.
O Canadá já é o primeiro país fora da Europa a participar da iniciativa de defesa SAFE, da União Europeia, avaliada em 150 bilhões de euros.
Carney, que classificou sua busca por uma "aliança única" com a Europa, discursa ao Parlamento Europeu nesta quinta-feira. As duas partes também devem aprofundar a cooperação em uma cúpula marcada para outubro, em Montreal.
Essa proposta mostra como a Europa e o Canadá estão buscando formar ou aprofundar parcerias com países alinhados a seus valores em um contexto internacional mais hostil, enfrentando pressões comerciais da China e, sobretudo, dos EUA.
A UE já tem acesso amplo ao mercado com a Suíça, via acordos bilaterais, e um TLC abrangente com o Reino Unido após o Brexit, ainda que nenhum dos dois seja membro associado.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-09-16 11:01:19Ué! Não ia virar o 51o estado americano?