Argentino das urnas é detido na Bolívia
Operação da polícia no aeroporto de Santa Cruz contra Fernando Cerimedo ocorreu horas após ataque à sua ex-namorada, a advogada Nadia Beller
O argentino Fernando Cerimedo (foto), que ficou famoso no Brasil por publicar um vídeo questionando as urnas brasileiras em 2022, foi detido na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, nesta terça, 18.
Cerimedo é assessor do presidente do país, Rodrigo Paz. Ele também já integrou a equipe digital do atual presidente da Argentina, Javier Milei, e do presidente de Honduras, Nasry Asfura.
Também trabalha com o americano Brad Parscale, que integrou a campanha de Donald Trump em 2016.
Cerimedo está sendo investigado após uma tentativa de assassinato da advogada e ativista Nadia Beller, sua ex-namorada.
O argentino foi detido no aeroporto de Viru Viru, quando pretendia embarcar em um avião da companhia Aerolíneas Argentinas, com destino a Buenos Aires.
A prisão ocorreu horas depois de Nadia Beller ter sofrido um ataque na porta de um hotel. Ela recebeu três tiros e teve de ser removida de emergência em uma ambulância para um centro médico na noite da segunda, 17.
As câmeras de segurança do hotel conseguiram registrar os autores dos disparos. Eles estavam com mochilas de aplicativos de entrega.
Enquanto um atirava contra a vítima, o outro pegou sua carteira e seu telefone celular.
Eles fugiram em outra moto.
Um dos motoqueiros foi preso.
Cerimedo foi colocado à disposição das autoridades que investigam o caso.
Três balas foram retiradas do peito de Nadia. Ela está fora de perigo.
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Cerimedo foi citado 65 vezes no relatório da Polícia Federal sobre tentativa de golpe de Estado, em 2022.
Ele aparece em conversas do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid.
Quatro dias depois da live de Cerimedo sobre as urnas eletrônicas, o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere mandou uma mensagem animada em conversa de WhatsApp para Mauro Cid, falando de um material de hackers, os quais teriam encontrado problemas nas urnas.
Cid então respondeu: “Nosso pessoal que fez… Haaahahahaahha. Isso foi a base do argelino”. A referência, provavelmente, era ao “argentino” Cerimedo.
As informações de Cerimedo ainda foram usadas no dia 22 de novembro de 2022 pelo Partido Liberal, PL, que enviou uma representação eleitoral contestando o resultado das urnas.
Os militares brasileiros seguiram fornecendo material para o argentino, mas sempre traduzindo para o inglês, porque o destinatário não entendia o português.
Ainda em 12 de dezembro de 2022, o cientista de dados Marcelo Oliveira divulgou no X que uma pasta postada no Google Drive por Cerimedo estava sendo alimentada pelo militar brasileiro Angelo Denicoli, o que poderia dar pistas sobre a origem das informações sobre as urnas eletrônicas.
O nome de Denicoli depois foi apagado da pasta.
Eduardo Bolsonaro
Cerimedo é próximo de Eduardo Bolsonaro.
Em julho, eles realizaram uma live juntos.
No vídeo, o argentino voltou a especular sobre fraude nas urnas brasileiras.
"A fraude estava nas máquinas. Mas no centro de processamento, você pode trocar o log. Pode disfarçar o que aconteceu", afirmou o argentino.
"Eles não contavam que a gente ia fazer uma auditoria de cada log da máquina. O problema é que [em 2018], a diferença era muito maior. Foi muito difícil fazer a fraude. Porque a diferença entre o seu pai [Jair Bolsonaro] e o segundo [Fernando Haddad] era muito grande", disse Cerimedo.
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