Lula manobrou Centrão para isolar Flávio
Presidente costurou acordos vantajosos com Hugo Motta, do Republicanos, e Ciro Nogueira, do PP
Com o governo Lula sendo reprovado pela maioria da população e a direita aparecendo nas pesquisas como favorita na eleição presidencial, caciques do Centrão começaram a gradualmente se distanciar do governo ainda no ano passado.
O Centrão trabalhava com uma perspectiva de alternância de poder e pensava em se aproximar do próximo presidente.
Mas a equação mudou quando Jair Bolsonaro escolheu seu filho Flávio como candidato a presidente.
Flávio até começou subindo nas pesquisas no início do ano, mas em maio sua campanha foi abatida por notícias de conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, do banco Master.
E Flávio nunca se recuperou entre a opinião pública, principalmente entre os eleitores independentes.
Quem mais tirou proveito da nova situação foi o presidente Lula, que manobrou nas sombras, costurando acordos com líderes do Centrão.
Esta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos, declarou apoio à reeleição de Lula.
Motta já vinha se aproximando do presidente, que tinha prometido apoio à candidatura do pai do parlamentar, Nabor Wanderley, que tenta uma vaga ao Senado pelo Republicanos na Paraíba.
Uma reportagem do jornal Estadão dá conta de que Lula fez um acordo com Ciro Nogueira, presidente do PP, que também apareceu nas investigações do banco Master.
O combinado seria de que o governo não iria atrapalhar a campanha de Ciro para a reeleição pelo Piauí, estado que é governado por Rafael Fonteles, do PT.
Ciro Nogueira, por sua vez, não fará oposição a Lula.
Lula ainda conseguiu na semana passada um encontro com Davi Alcolumbre, o presidente do Senado, na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O conteúdo das conversas não foi divulgado.
Com tantos acenos do governo, os partidos do Centrão — como União Brasil, PP, Podemos e Republicanos — não sentiram firmeza na campanha de Flávio e optaram pela neutralidade, o que reduziu o tempo de televisão do senador, filho de Jair Bolsonaro.
Bolsonaristas e lulistas costumam reverenciar a capacidade de estratégia de seus líderes.
Mas, na disputa para ganhar o Centrão, foi Lula quem se saiu melhor.
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