Bashar Assad é condenado à morte na Síria
Como fugiu para Moscou, o ditador deposto da Síria foi julgado à revelia
O ditador deposto Bashar Assad (foto) foi condenado à morte nesta terça-feira, 11, por um tribunal sírio por cometer crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a guerra civil da Síria.
Essa é a primeira condenação contra Assad, desde que seu regime foi derrubado em dezembro de 2024.
Como fugiu para Moscou, Assad foi julgado à revelia.
O tribunal também condenou à morte seis ex-funcionários militares e de segurança do regime de Bashar Assad, incluindo Maher Assad, seu irmão mais novo, e Atef Najib, primo do ditador deposto e ex-chefe de segurança política na província de Deraa, no sul da Síria, e Fahd al-Freij, ex-ministro da Defesa.
Najib foi condenado pelo "assassinato intencional de menores de 15 anos" e por "tortura levando à morte".
Bashar Assad chegou ao poder na Síria em 2000, após a morte de seu pai, Hafez Assad.
Parte da comunidade Alauíta, ele ampliou o domínio da minoria em agências militares, de segurança e de inteligência.
Na ONU, o presidente da Síria, Ahmed Sharaa, culpou Assad pela morte de mais de um milhão de sírios.
"Mas a Síria, por sessenta anos, caiu sob o domínio de um regime tirânico que ignorou o valor da terra que governava e oprimiu um povo bondoso e pacífico. Nosso povo suportou opressão, tirania e privação por longos anos, até que se levantou exigindo liberdade e dignidade — apenas para ser recebido com assassinatos, tortura, incêndios, estupros e deslocamentos forçados
O regime anterior travou uma guerra contra nosso povo usando os instrumentos mais vis do assassinato e da tortura: bombas de barril, armas químicas, execuções sumárias, tortura em prisões, deslocamento forçado, incitação ao sectarismo e ao conflito étnico, e até mesmo o uso de drogas como arma contra nosso povo e o mundo."
Ele também criticou o uso sistemático de armas químicas e afirmou que o povo "não teve escolha" a não ser uma mobilização para uma "rápida operação militar".
Asilo para Assad em Moscou
Assad e sua família fugiram para a Rússia antes dos rebeldes do Tahrir al-Sham (HTS) derrubarem a ditadura.
Em comunicado oficial, Moscou afirmou que Bashar Assad foi admitido por "razões humanitárias".
A família do ditador comprou 18 apartamentos de luxo em um dos principais arranha-céus de Moscou, o City of Capitals.
De acordo com uma reportagem do jornal Financial Times, de 2019, o valor foi de 40 milhões de dólares.
As compras foram feitas por meio de empresas libanesas offshore após o início da guerra civil, em 2011.
Os membros da família também transferiram milhões de dólares para bancos russos.
A fortuna da família já foi estimada em 950 milhões de libras esterlinas pelo jornal britânico Guardian. O valor equivale a 1,2 bilão de dólares. A maior parte do patrimônio estava distribuída entre Rússia, Hong Kong e paraísos fiscais.
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