Flávio aponta os responsáveis pela escolha de um vice homem
Embora quisesse uma vice mulher, o filho de Jair Bolsonaro escolheu o deputado Alfredo Gaspar como vice
O senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu aos partidos do Centrão a responsabilidade por ter escolhido um vice homem para disputar a Presidência da República.
Embora quisesse uma vice mulher, o filho de Jair Bolsonaro indicou o deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS e até então pré-candidato ao Senado por Alagoas, para a vaga.
"Todas as mulheres que foram cogitadas para serem minha vice estão do meu lado. Sem exceção. Todas elas estão participando de alguma forma dessa pré-campanha, colaborando com ideias e dando opiniões. Estou ouvindo todo mundo. Os principais quadros de todos os partidos vieram para nós. Não apenas quem estava sendo cogitado para vice. Quem não veio foram os caciques, os partidos", disse o senador em entrevista ao podcast Market Makers na quinta-feira, 7, ao lado da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), uma das mulheres cotadas para o posto.
"Não digo que fui traído. Acho que cada um tem seus motivos. Claro que queria que tivesse esses partidos na minha chapa, me daria mais tempo de televisão e mais capilaridade, mas o importante é que os principais quadros estão com a gente", acrescentou.
Um vice do PL Homem
Ao anunciar a escolha de Alfredo Gaspar como vice, Flávio afirmou que buscou um nome que representasse coragem para enfrentar a corrupção, o crime organizado e defender os valores do Brasil, destacando a trajetória de Gaspar no Ministério Público, na segurança pública e no Congresso.
O anúncio, porém, encerrou apenas o suspense oficial. Nos bastidores da sede nacional do PL, em Brasília, o clima foi de surpresa, troca de olhares e questionamentos. Tanto que obrigou o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, a afirmar que Gaspar havia sido escolhido por Flávio Bolsonaro e pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) há mais de seis meses. Provavelmente uma mentira deslavada.
A justificativa de Valdemar, na realidade, esconde o final de uma novela que perdurou — essa sim — por meses a fio.
Flávio e o PL queriam uma mulher de vice. Uma mulher que agregasse votos ao filho do ex-presidente da República para tentar, ao menos, amenizar a rejeição dele junto a esse eleitorado.
O senador negociou com vários quadros: a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), a presidente do Podemos, Renata Abreu… até Michelle Bolsonaro foi apontada como uma eventual vice.
Como mostrou Crusoé, o cenário mudou quando PP e Republicanos decidiram permanecer independentes na disputa presidencial, evitando uma coligação nacional com o PL. A neutralidade inviabilizou, na prática, a indicação de quadros dessas legendas para compor a chapa presidencial.
Foi nesse contexto que o PL consolidou a chamada chapa “puro-sangue”, formada exclusivamente por integrantes da legenda.
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