Por que o Centro Carter não vai monitorar as eleições no Brasil
A organização não aceitou o convite do Tribunal Superior Eleitoral para enviar uma missão ao Brasil
O Centro Carter, um dos mais respeitados institutos de monitoramento de eleições, não aceitou o convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para monitorar o pleito brasileiro em outubro.
Fundada em 1982 pelo ex-presidente Jimmy Carter, a organização não conseguiu recursos para enviar uma missão ao Brasil.
No último ano, a operação do Carter foi afetada pelo corte de financiamento do governo dos Estados Unidos às agências internacionais de desenvolvimento e cooperação.
A União Europeia também é uma importante contribuinte do instituto. Contudo, o bloco enviará sua própria missão ao Brasil.
Para manter a independência, o Centro Carter não pode aceitar recursos do governo ou de qualquer outra instituição do país.
Governo Trump
A CEO do Centro Carter, Paige Alexander, disse, em maior de 2025, que cerca de 10% do financiamento da organização "evaporou subitamente" com os cortes do governo Trump.
Ao Atlanta Journal-Constitution, ela afirmou que as perdas no ano passado foram estimadas em cerca de 11 milhões de dólares.
Os EUA costumavam repassar recursos ao Centro Carter pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) ou pelo Departamento de Estado.
Alternativas
Apesar da ausência do Centro Carter, as eleições brasileiras contarão com outros observadores internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia.
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) também devem enviar missões para monitorar a eleição brasileira.
Eurolat Global Democracy Forum
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de credenciamento do Eurolat Global Democracy Forum, organização sediada na Espanha, para atuar como missão internacional de observação nas eleições brasileiras de 2026.
A análise foi conduzida pela Diretoria Internacional do TSE, estrutura criada neste ano pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques.
Segundo o entendimento do tribunal, as missões de observação eleitoral devem estar vinculadas a instituições com atuação consolidada e legitimidade reconhecida na área, como organismos internacionais, universidades, centros de pesquisa ou entidades especializadas.
O Eurolat Global Democracy Forum se apresenta como um fórum da sociedade civil com o lema “por eleições livres, transparentes e confiáveis”. A entidade, no entanto, não possui mandato eletivo, chancela governamental nem autoridade legislativa.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-08-05 14:07:17Assim fica mais fácil de criticar o sistema...