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Diários

Guerra Irã-EUA se espalha após Houthis mirarem rotas sauditas

Anúncio dos Houthis contra a Arábia Saudita aumenta a preocupação com o abastecimento e a estabilidade da região

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 20.07.2026 10:35 comentários 0
Guerra Irã-EUA se espalha após Houthis mirarem rotas sauditas
Imagem: IA por José Inácio Pilar
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Os Houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, declararam nesta segunda-feira um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, em vigor imediato, prometendo revidar "olho por olho" o que classificam como um cerco saudita de quase 12 anos ao território iemenita.

A medida rompe uma trégua informal que durava quatro anos e aumenta o risco do conflito entre Estados Unidos e Irã se espalhar para o Mar Vermelho, outra rota vital para o comércio mundial de petróleo.

O anúncio chega em um momento particularmente tenso da guerra entre Washington e Teerã. Depois de mais de uma semana de bombardeios que derrubaram na prática o acordo de trégua firmado em junho, os ataques deixaram de mirar apenas alvos militares e passaram a atingir estradas, pontes, ferrovias e portos.

Um ponto importante é que os ataques de ambos os lados passaram a atingir usinas de dessalinização, infraestrutura crítica em uma região de clima árido e extremo calor no verão. No Irã, bombardeios americanos danificaram plantas que abastecem dezenas de milhares de pessoas com água potável.

Do lado oposto, o Kuwait relatou novo ataque iraniano a uma usina de dessalinização, causando incêndio e comprometendo o fornecimento para a população civil. Analistas alertam que a escalada contra essas instalações pode gerar crise humanitária aguda, com risco de falta de água potável em pleno verão do Golfo, agravando a instabilidade regional.

O número de países-alvo nas retaliações iranianas já chega a sete, com Kuwait e Jordânia entre os mais atingidos. A morte de dois militares americanos na Jordânia e de um terceiro no Iraque elevou ainda mais a tensão, e analistas internacionais já avaliam que o conflito começa a escapar do controle das próprias partes envolvidas, com risco real de um erro de cálculo aprofundar ainda mais a guerra.

Para especialistas, Teerã acredita que pode resistir mais tempo que o governo Trump, apostando que o fechamento do Estreito de Ormuz pressione a economia internacional antes que o desgaste com sua própria população force um recuo iraniano.

Já nos Estados Unidos, o apoio à guerra, que nunca foi alto, despenca: segundo recente pesquisa do instituto YouGov para a revista The Economist, 57% dos americanos consideram um erro ter entrado no conflito, tornando-o um dos mais impopulares desde que o instituto passou a medir a opinião sobre este conflito, em março.

Uma invasão terrestre americana segue improvável no curto prazo, devido aos maiores custos e maior vulnerabilidade a ataques iranianos. Aliados do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, já pressionaram Trump a recuar de planos de cobrar taxas sobre navios em Ormuz, temendo danos ainda maiores às suas economias.

Para o Brasil, a escalada amplia riscos ao mercado de commodities. Uma nova alta do petróleo, hoje ainda relativamente contida, tende a pressionar combustíveis e fertilizantes, dos quais o país é grande importador, além de aumentar a volatilidade cambial e nas bolsas internacionais.

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