Crusoé
06.10.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 421

A universidade que trocou o ensino pela militância

Grevistas da USP programaram uma roda de conversa sobre “o papel da juventude contra o Tarcísio”

avatar
Maristela Basso
4 minutos de leitura 22.05.2026 03:30 comentários 3
A universidade que trocou o ensino pela militância
Greve estudantil em São Paulo. Foto: Sintusp
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

A universidade pública brasileira sempre foi um espaço político. E isso nunca constituiu um problema em si.

Universidades existem justamente para produzir pensamento crítico, tensão intelectual e liberdade de debate.

O problema começa quando a política deixa de conviver com o ensino e passa a substituí-lo.

A recente programação divulgada por grupos grevistas da USP talvez seja um retrato quase didático dessa transformação.

Entre as atividades propostas aparecem: “pressionar a reitoria”, confecção de cartazes para marcha política, uma roda de conversa sobre “o papel da juventude contra o Tarcísio” e até um “campeonato de assobio”.

Tudo isso dentro da principal universidade pública do país.

A questão não é moralizar a participação política dos estudantes. Jovens sempre participaram da vida política brasileira — e frequentemente tiveram papel importante nela.

O ponto mais delicado é outro: em que momento uma universidade deixa de funcionar prioritariamente como espaço de formação acadêmica e passa a operar como estrutura permanente de mobilização ideológica?

Essa distinção importa.

O problema surge quando a epistemologia do conhecimento jurídico cede espaço à lógica da militância permanente, da manipulação política ou da substituição da reflexão teórica por slogans ideológicos.

A universidade perde sua centralidade quando abandona sua vocação intelectual para transformar-se apenas em arena de disputas identitárias ou partidárias.

Universidades públicas não pertencem a grupos militantes. Elas pertencem à sociedade brasileira — inclusive aos milhões de cidadãos que jamais conseguirão colocar os pés em suas salas de aula, mas que as financiam diariamente por meio de impostos.

Em nenhuma parte séria do mundo faculdades de direito funcionam como centros de caridade ou plataformas de mobilização política contínua.

Isso não significa indiferença diante das desigualdades sociais ou afastamento das demandas humanas concretas.

Ao contrário: cabe justamente à universidade pensar, de maneira racional e estrutural, como o sistema jurídico pode ser aperfeiçoado para atender melhor à sociedade.

Por isso, existe uma expectativa legítima da sociedade em relação à USP: excelência acadêmica, produção científica, formação intelectual de alto nível e pesquisa relevante para o país.

Quando a universidade parece gradualmente substituir essas funções por uma lógica contínua de ativismo político, a reação social torna-se inevitável.

Talvez o trecho mais revelador da programação seja justamente a roda de conversa sobre “o papel da juventude contra o Tarcísio”.

A formulação é importante porque ela desloca o debate do campo universitário para o campo da militância político-partidária direta contra um governo democraticamente eleito.

E isso altera qualitativamente a natureza do movimento.

Uma coisa é a universidade discutir criticamente políticas públicas, segurança, orçamento ou educação. Outra, muito diferente, é transformar a estrutura universitária em espaço orgânico de engajamento político permanente contra adversários ideológicos específicos.

A consequência mais grave talvez não seja sequer política, mas institucional.

Porque ambientes hegemonicamente militantes tendem a produzir um fenômeno silencioso: o desaparecimento do dissenso legítimo.

Alunos que discordam passam a se calar. Professores evitam confrontos. O pluralismo vai sendo substituído por conformidade moral e simbólica.

E uma universidade sem pluralismo deixa de ser plenamente universidade.

Há ainda um aspecto frequentemente ignorado nesse debate: o direito dos estudantes que querem simplesmente estudar.

Os mais prejudicados por greves prolongadas raramente são os grupos politicamente organizados. São os alunos trabalhadores, bolsistas, estudantes de origem humilde e aqueles que dependem da universidade pública como única possibilidade concreta de ascensão intelectual e profissional.

Para esses estudantes, a paralisação permanente não é performance política. É atraso de vida.

O verdadeiro risco talvez seja a naturalização desse modelo universitário em que a militância deixa de ser episódica e passa a constituir a própria identidade institucional da universidade.

Quando isso acontece, a universidade deixa de formar cidadãos livres e começa a formar apenas militantes previsíveis.

E nenhuma democracia madura deveria considerar isso um sinal de saúde intelectual.

Maristela Basso é professora de direito internacional na USP

Instagram: @maristelabasso.adv

Linkedin: Maristela Basso Advogados

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Lula é parte da promiscuidade no STF

Duda Teixeira Visualizar

Nikolas orienta eleitores como "tirar votos" de Lula

Redação Crusoé Visualizar

Gilmar, agora, diz que enaltece a Justiça eleitoral

Duda Teixeira Visualizar

O que Flávio ganha com apoio de Caiado e Zema

Duda Teixeira Visualizar

Pavanato promete prioridade em reduzir maioridade penal para 14 anos

Wal Lima Visualizar

Pavanato promete “fim da mamata” de recursos públicos para o MST

Wal Lima Visualizar

Mais Lidas

A ambição desmedida de Cristiano Ronaldo

A ambição desmedida de Cristiano Ronaldo

Visualizar notícia
A conta bilionária da democracia

A conta bilionária da democracia

Visualizar notícia
Cabo eleitoral supremo

Cabo eleitoral supremo

Visualizar notícia
Campanha de Lula aposta em minidocumentário contra Flávio

Campanha de Lula aposta em minidocumentário contra Flávio

Visualizar notícia
Crusoé nº 440: Cabo eleitoral supremo

Crusoé nº 440: Cabo eleitoral supremo

Visualizar notícia
Dino enrola para defender intervenção eleitoral do Judiciário

Dino enrola para defender intervenção eleitoral do Judiciário

Visualizar notícia
Guerra santa

Guerra santa

Visualizar notícia
Lula, Nikolas e o fim de uma geração

Lula, Nikolas e o fim de uma geração

Visualizar notícia
O caro, insignificante e previsível voto da elite no exterior

O caro, insignificante e previsível voto da elite no exterior

Visualizar notícia
O triste fim da candidatura de Renan Santos

O triste fim da candidatura de Renan Santos

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Tarcísio de Freitas

universidade

USP

< Notícia Anterior

Cannes: um espectro ronda os festivais

15.05.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

O problema final de Flamengo e Palmeiras

29.05.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Maristela Basso

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Andre Luis dos Santos

2026-05-23 20:08:27

Análise irretocável. Esses militantes são uns vagabundos. ZERO contribuem pra sociedade.


2026-05-23 18:37:30

A Univrrsidade pública hoje tem só militantes e baderneiros. E nós, gastamos nosso dinheiro payrocinando-os.


Marcos

2026-05-23 18:27:35

FORMADORES DE LIXO HUMANO.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Andre Luis dos Santos

2026-05-23 20:08:27

Análise irretocável. Esses militantes são uns vagabundos. ZERO contribuem pra sociedade.


2026-05-23 18:37:30

A Univrrsidade pública hoje tem só militantes e baderneiros. E nós, gastamos nosso dinheiro payrocinando-os.


Marcos

2026-05-23 18:27:35

FORMADORES DE LIXO HUMANO.



Notícias relacionadas

Programa estético para a conversão das almas

Programa estético para a conversão das almas

Josias Teófilo
02.10.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Guerra santa

Guerra santa

Duda Teixeira, Wal Lima
02.10.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia
Justiça do Trabalho condena lojas por serem assaltadas

Justiça do Trabalho condena lojas por serem assaltadas

Letícia Barros
02.10.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Padroeira vira munição de campanha

Padroeira vira munição de campanha

Wilson Pedroso
02.10.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso