A "guerra aberta" entre Afeganistão e Paquistão
Forças paquistanesas bombardearam as principais cidades do país vizinho, que é controlado pelo Talibã
O Paquistão bombardeou as principais cidades do Afeganistão, incluindo a capital Cabul, durante a noite de quinta-feira, 26, em uma escalada significativa das tensões entre os dois países.
O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, declarou "guerra aberta" contra o país vizinho, comandado pelo Talibã.
"Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós e vocês [Afeganistão]", disse.
Essa é a primeira vez que as tropas paquistanesas atacam diretamente seus antigos aliados, em resposta a "disparos não provocados" vindos do outro lado da fronteira.
As relações entre os dois países têm oscilado entre uma diplomacia cautelosa e uma hostilidade declarada desde que o Talibã retornou ao poder no Afeganistão em 2021.
Guerra de narrativas
Autoridades do Paquistão e do Afeganistão alegam ter infligido pesadas baixas um ao outro.
Os números reais, no entanto, são incertos.
O porta-voz das forças armadas do Paquistão, tenente-general Ahmed Sharif Chaudhry , disse que pelo menos 274 combatentes talibãs foram mortos e mais de 400 ficaram feridos.
O Talibã, por sua vez, afirmou que 55 soldados paquistaneses foram mortos, além de ter capturado vários soldados paquistaneses.
Islamabad nega.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, disse que militantes do TTP tentaram usar drones contra alvos no Paquistão.
Segundo Tarar, no entanto, os drones foram abatidos e "não houve vítimas".
Talibã do Paquistão
Islamabad acusa o país vizinho de abrigar militantes do Talibã do Paquistão (TTP), grupo organizado por combatentes afegãos para derrubar o governo paquistanês e estabelecer um regime islâmico no país.
Aliado do Talibã do Afeganistão, o TTP tem atacado diretamente o Exército e políticos paquistaneses.
As capacidades militares do Paquistão são muito superiores às do Afeganistão, já que o país possui armas nucleares.
O Talibã, no entanto, tem experiência em guerra de guerrilha.
Rússia, China, Turquia e Arábia Saudita já se ofereceram para mediar o conflito entre os dois países.
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