Milei defende comércio com a China
Milei fala sobre dólar e China e tenta conciliar mercado, comércio exterior e a política econômica da Argentina
O presidente argentino Javier Milei escolheu o pragmatismo ao defender a China e o plano econômico argentino, falando menos em promessas e mais em realidade.
Ao tratar do regime de bandas cambiais para o dólar, explicou que o modelo busca dar referências claras ao mercado, com limites conhecidos para a atuação do Banco Central e menor espaço para decisões improvisadas. Segundo Milei, esse sistema permite reduzir oscilações bruscas sem retornar a mecanismos de controle direto sobre a moeda.
A defesa ocorreu em meio a um período de atenção redobrada dos investidores, que acompanham os primeiros resultados da reorganização monetária após anos de controles e distorções, num país marcado por crises recorrentes e forte memória inflacionária. No plano internacional, o presidente adotou um tom bem diferente daquele que marcou sua campanha.
Em Davos, Milei afirmou em entrevista à Bloomberg News que a China representa uma fonte importante de oportunidades comerciais para a Argentina, sobretudo em exportações e investimentos.
A fala ganhou peso por partir de um líder que antes criticava abertamente o governo chinês e prometia priorizar apenas parceiros ideologicamente próximos, como os Estados Unidos.
A China ocupa posição central no comércio argentino e participa de acordos financeiros que ajudam a aliviar a pressão sobre as reservas. Ignorar esse vínculo teria custo alto em um momento em que o governo busca dólares, crédito e acesso a mercados.
Sua fala tem menos ingredientes de uma guinada política e mais uma leitura pragmática das limitações impostas pela economia real, mesmo contando com o apoio dos EUA sob Donald Trump, que declarou abertamente não querer a China fazendo negócios na América do Sul.
Em Davos, Milei também reforçou a defesa do livre comércio internacional e atacou políticas protecionistas, se apresentando como defensor de mercados abertos, mas sem atacar nenhum país em especial.
Ao enfatizar a importância das bandas cambiais e pregar uma relação funcional com a China, Milei desenha uma estratégia que tenta reduzir incertezas no curto prazo e atrair investidores enquanto prepara terreno para reformas mais profundas.
Só que o sucesso dessa combinação vai depender menos do discurso e mais da sua capacidade de entregar reformas econômicas e políticas em um país acostumado a promessas interrompidas.
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