Depois da Groenlândia, Trump mira Cuba
Donald Trump já estaria planejando ações em Cuba para levar a uma mudança de regime, indica reportagem do Wall Street Journal
Depois da operação de extrair Nicolás Maduro da Venezuela, de ameaçar o Irã e dar declarações bombásticas sobre anexar a Groenlândia, a Casa Branca parece já ter um novo alvo: Cuba.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, já se discute internamente uma estratégia explícita para provocar a queda do regime cubano ainda em 2026.
A avaliação do gabinete de Trump é de que a combinação entre crise econômica prolongada, desgaste político e insatisfação social teria criado um ambiente mais vulnerável do que em ciclos anteriores, ideal para uma ação estruturada, não de improviso, para acelerar um processo que há décadas resiste a sanções, isolamento diplomático e tentativas indiretas de pressão externa.
A estratégia discutida em Washington combina sanções econômicas ainda mais duras, apoio a grupos opositores e articulação diplomática com aliados regionais. O discurso oficial evita detalhes, mas fontes ouvidas pelo jornal afirmam que há uma leitura de enfraquecimento interno do regime cubano, agravado pela crise econômica, pela escassez de alimentos e energia e pelo desgaste do modelo político.
Desde que interviu na Venezuela, os Estados Unidos bloquearam a remessa de petróleo para Cuba, fundamental para ser transformado em combustível e manter o funcionamento das usinas termoelétricas, fonte da maior parte da energia elétrica local.
De toda a forma, para a equipe de Trump, esse cenário abriria uma janela para acelerar um desfecho que governos anteriores não conseguiram alcançar.
O cálculo, porém, envolve riscos. Iniciativas externas com esse objetivo tendem a fortalecer a retórica de resistência em Havana e a fechar espaços de negociação. Há também o fator internacional, já que Rússia e China ainda mantêm vínculos com a ilha e acompanham de perto qualquer movimento mais agressivo dos Estados Unidos.
Mesmo parceiros tradicionais de Washington na América Latina demonstram cautela diante de ações que possam gerar instabilidade regional ou fluxo migratório adicional. O México, por exemplo, segue como fornecedor importante de petróleo para Cuba, o que limita o alcance imediato de uma pressão energética mais forte.
Dentro dos Estados Unidos, a proposta encontra apoio em setores políticos e em parte do eleitorado cubano-americano, sobretudo na Flórida. Ao mesmo tempo, enfrenta críticas que lembram o histórico limitado de sucesso de estratégias de confronto direto com Cuba, indicando que mudanças internas duradouras dependem mais de transformações graduais do que de uma pressão forte por um curto período.
Ao transformar a mudança de regime em objetivo declarado, o governo de Trump assume o risco de reduzir margens de negociação diplomática, aumentar resistências regionais e transferir para o plano político interno um tema cuja resolução tem se mostrado lenta e imprevisível.
A questão que permanece aberta não é se Cuba enfrenta dificuldades profundas, mas se o aumento da pressão externa seria capaz de produzir um desfecho diferente dos que já fracassaram no passado.
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