EUA definem Irmandade Muçulmana como grupo terrorista
Criada no Egito, organização deu origem ao grupo terrorista palestino Hamas, além de inspirar Al Qaeda e Estado Islâmico
Os Estados Unidos passaram a considerar os braços jordaniano, libanês e egípcio da Irmandade Muçulmana como grupos terroristas.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado Americano, Marco Rubio, nas redes sociais.
"Sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos eliminarão as capacidades e operações dos núcleos da Irmandade Muçulmana que representam uma ameaça para os cidadãos americanos e para a nossa segurança nacional", escreveu Rubio no X.
A Irmandade Muçulmana, criada pelo professor egípcio Hassan al Banna, foi fundada no Egito em 1928 e deu origem ao grupo terrorista palestino Hamas (foto).
O propósito inicial da Irmandade era promover a islamização de baixo para cima da sociedade, atendendo os mais pobres em primeiro lugar.
Diversos hospitais foram criados com esse fim.
A partir dos anos 1950, por influência do clérigo Sayd Qutb, a Irmandade passou a ter um discurso radical, segundo o qual a religião deveria dominar todas as esferas da vida, incluindo a política. Estruturas seculares pasaram a ser consideradas como infiéis ou apóstatas.
A competição de virtude e o hábito de condenar os infiéis acabaram inspirando grupos como a Al Qaeda, o Hamas e o Estado Islâmico.
Hamas
O grupo palestino Hamas surgiu em 1987, quando os membros da Irmandade Muçulmana que estavam presentes na região da Palestina adotaram um discurso nacionalista e fundaram o grupo terrorista palestino.
A Carta Fundacional do Hamas, publicada em 1988, afirma: "O Movimento de Resistência Islâmica é um dos ramos da Irmandade Muçulmana na Palestina. O Movimento da Irmandade Muçulmana é uma organização mundial... é o maior movimento islâmico da era moderna."
A Irmandade Muçulmana foi proibida no Egito em 2013, quando o general Al Sissi assumiu o poder após a Primavera Árabe.
A Jordânia proibiu o grupo no ano passado.
Outros países que tornaram a Irmandade ilegal, pelo seu papal desestabilizador e radical, foram a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, a Síria, a Rússia e a Áustria.
A organização, por outro lado, também tem tido alguns aliados no Oriente Médio.
A Irmandade foi apoiada pelo Catar, que dava espaço para o clérigo Yusuf al Qaradawi fazer pregações na rede Al Jazeera, que ecoavam por toda a região.
Quem também deu guarida para a Irmandade Muçulmana foi o presidente da Turquia, Recep Erdogan. Vários de seus líderes hoje vivem na Turquia.
Essa aproximação da Turquia com a Irmandade tem sido um foco de preocupação em Israel, como escreveu Samuel Feldberg na Crusoé: "A percepção da Turquia como um elemento possivelmente desestabilizador (assim como o Irã) decorre do compartilhamento ideológico e de valores da Irmandade Muçulmana, tendo como objetivo impulsionar Jerusalém como tema central do discurso islâmico radical".
Leia em Crusoé: Um novo Oriente Médio
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)