EUA adiam tarifas de chips e móveis
Donald Trump adia tarifas sobre chips chineses para junho de 2027 e posterga novas taxas para móveis importados
Nos últimos meses, a política comercial dos Estados Unidos entrou em movimento, com o governo do presidente Donald Trump adiando tarifas que estavam previstas para já entrar em vigor e ganhando tempo nas negociações com fornecedores estrangeiros e sobretudo a China.
No fim de dezembro de 2025, as autoridades americanas decidiram adiar para junho de 2027 a aplicação de novas tarifas sobre importações chinesas de semicondutores, parte de uma investigação sobre práticas consideradas desleais no setor de chips.
A decisão mantém a alíquota atual zerada por um período de cerca de 18 meses e dá sinal de que Trump busca mais tempo para negociação em um setor estratégico para a economia.
A Casa Branca justificou o adiamento enquanto preserva a possibilidade de aumentar as taxas mais adiante e afasta a medida por ora para reduzir tensões com Pequim, que criticou duramente o movimento e alertou sobre os riscos para cadeias de produção e para o comércio internacional.
Esse recuo em relação aos semicondutores ocorre num momento em que o governo Trump também vem reavaliando e reduzindo tarifas implementadas sobre produtos importados de outros países, como o Brasil.
Outro caso de recuo envolve móveis estofados, armários de cozinha e lavatórios.
Originalmente estava prevista uma grande alta nas tarifas desses itens, chegando a níveis que quase inviabilizariam importações, para defender a manufatura doméstica, mas a implementação dessas alíquotas maiores foi adiada por mais um ano, mantendo as taxas atuais.
A justificativa oficial é de que a implementação dessas tarifas pesaria sobre os consumidores americanos, diante da alta de preços, e de que os diálogos em andamento com parceiros comerciais estariam evoluindo.
Essas mudanças mostram que a administração americana tem dificuldade em sustentar um ritmo acelerado de sobretaxas em várias frentes simultâneas, mesmo enquanto mantém um discurso duro sobre a necessidade de enfrentar práticas comerciais que considera injustas.
Para empresas e mercados, o adiamento das tarifas traz alívio imediato, sobretudo em setores sensíveis a preços e cadeias de suprimentos internacionais, mas deixa no ar a expectativa de que, mais adiante, novas taxas ainda podem ser impostas caso não saiam acordos nos termos que Trump deseja.
Mais essa virada também reflete o braço de ferro entre setores internos que cobram mais protecionismo e os que pressionam por mais estabilidade comercial num momento em que a economia americana e seus parceiros enfrentam crescentes pressões de custos.
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