Um plebiscito para Lula 1, Lula 2 e Lula 3
Nas urnas em 2026, milhões de brasileiros vão mostrar suas opiniões sobre o petista que já conhecem muito bem
A economia é, sabidamente, o tema com maior potencial para definir eleições.
No ano que vem, no Brasil, há ainda uma chance de que a questão da segurança pública seja relevante no cálculo de muitos eleitores.
Mas a eleição presidencial de 2026 terá também um outro fator, que pode ser mais importante que todos os demais.
O pleito deste ano será um plebiscito em que os brasileiros darão sua opinião sobre Lula.
E não será apenas sobre o atual governo do petista.
Será sobre o Lula que todos conhecemos, aquele que tornou-se conhecido nacionalmente nas greves de metalúrgicos em São Bernardo, ainda no final da década de 1970, e nunca mais saiu de cena.
Lula disputou quase todas as eleições presidenciais desde a volta da democracia, com exceção de três: as duas de Dilma Rousseff (2010 e 2014) e a que ele esteve preso, em 2018.
Somando seus três mandatos, ele terá ficado doze anos no Palácio do Planalto ao final de 2026.
Tudo isso permitiu um acúmulo de informações sobre Lula como nenhuma outra figura política no Brasil.
Quando os brasileiros forem para as urnas em 4 de outubro, eles se manifestarão sobre um personagem que conhecem muito bem.
Os mais velhos vão se lembrar de Lula morar na casa do compadre Roberto Teixeira, cuja empresa ganhava licitações em prefeituras petistas.
Ou do mensalão, em que o governo comprou apoio no Congresso distribuindo mesadas para parlamentares.
Os mais novos viram Lula enaltecendo o ditador venezuelano Nicolás Maduro ou participando de um desfile militar em Moscou no Dia da Vitória.
Todos sabem do petrolão e dos 580 dias que Lula ficou na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Essas sombras do passado de Lula não foram embora. Elas sempre voltam para atemorizar o petista.
No final do ano passado, Fábio Luís, o Lulinha, apareceu nas investigações da Polícia Federal. O Careca do INSS, pivô no escândalo dos desvios, fez pagamentos regulares para uma empresa de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.
Lulinha, que seu pai considerava um Ronaldinho dos negócios, também foi manchete no primeiro governo do petista, porque sua empresa recebeu 132 milhões da operadora Oi/Telemar.
Essa abundância de fatos faz com que, nas pesquisas de opinião, a aprovação a Lula, como pessoa, seja sempre menor que a de seu governo.
Esse é um claro sinal de que os brasileiros estão cansados do petista, ainda que não estejam tão desanimados com seu governo.
Quando os brasileiros são questionados sobre sua conduta pessoal, o resultado é desafiador.
Pesquisa Quaest divulgada em dezembro mostra que 49% dos brasileiros acham que Lula não tem boas intenções, enquanto 44% acham o contrário.
Ao longo de 2025, a Quaest também mostrou que entre 53% e 66% dos brasileiros acham que o petista não deveria tentar um quarto mandato.
Para cada brasileiro que se considera independente e acha que Lula deveria buscar a reeleição, dois dizem que isso não é uma boa ideia. E é justamente esse grupo que define as eleições no Brasil.
E vale lembrar que Lula não venceu em 2022 por méritos próprios, mas porque os brasileiros moderados rejeitaram a figura do então presidente Jair Bolsonaro.
Mesmo assim, Lula venceu por uma diferença de míseros dois pontos percentuais.
Esta eleição, portanto, será mais do que uma escolha entre candidatos diferentes.
Será também um plebiscito em que os brasileiros vão dizer o que pensam sobre Lula.
E a imagem acabada do petista, cultivada ao longo de mais de quatro décadas, não o ajuda.
Duda Teixeira é jornalista e escritor
Instagram: dudateixeira
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