Crusoé
15.08.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 347

De Sorocaba a Jerusalém

Nasci em dezembro de 1939 e cedo aprendi que ser judeu implicava em risco de vida

avatar
Jaime Pinsky
7 minutos de leitura 27.12.2024 03:30 comentários 2
De Sorocaba a Jerusalém
Kibutz atacado pelo Hamas no 7 de outubro. Foto: Embaixada americana em Israel
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Nasci e passei a infância em Sorocaba.

Dentre as muitas lembranças que carrego de lá duas têm um relevo especial: a repressão às greves operárias – minha casa ficava a poucos metros de uma fábrica têxtil e muito perto das oficinas da então Estrada de Ferro Sorocabana – e as festas religiosas, cristãs e judaicas.

A cidade não tinha sinagoga, clube, ou escola judaica.

Mas, desde pequeno, eu sabia que era judeu.

Nasci em dezembro de 1939 e cedo aprendi que ser judeu implicava em risco de vida.

Pais, tios, conhecidos, judeus e não judeus se encarregaram de deixar isso bem claro.

Fui informado, diretamente e pelo choro mal disfarçado de minha mãe, que os que haviam ficado na Europa, em vez de se mudarem para o Novo Mundo, muitos familiares, tinham virado cinza, parcela dos 6 milhões assassinados pelos nazistas alemães e seus aliados.

Uma garota que morava perto e brincava de roda com a minha irmã falou que os judeus mereceram isso, pois tinham matado Jesus.

Mas meu tio, que morava com a gente, dizia que esse era um argumento absurdo, referia-se a fatos ocorridos muito tempo atrás, quando a avó da minha avó nem pensava em nascer e que não era razoável culpar todos os judeus, que nasceram séculos e séculos depois, de algo que, no final das contas, tinha sido perpetrado pelos romanos.

Para ele, uma espécie de intelectual da família, essas ideias só existiam, assim como a perseguição aos judeus, porque estes não tinham uma pátria só deles, como brasileiros e americanos, para defender seus cidadãos.

“Mas algum dia ainda terão”, ele acrescentava sempre.

Meu tio entendia de política internacional.

Eu não entendia muito, mas lia jornal desde muito cedo e com cinco anos de idade já tinha decidido estudar História.

Li, na época, sobre a fantástica capacidade de produzir cultura por parte do ser humano – em poucos milhares de anos nosso cérebro aprendeu a construir conceitos e, logo depois, com a escrita, já conseguíamos registrá-los.

Há 20 mil anos, nossos avós já tinham criado representações de humanos e animais, logo depois conciliamos sons para que ficassem harmoniosos, investigamos a alma em profundidade e o universo buscando desvendá-lo.

O que não aprendemos ainda é a conviver harmoniosamente.

E, por ódio inculcado dogmaticamente os judeus, há muito tempo, se transformaram no bode expiatório, o culpado pelas chuvas e pelas secas, pela falta de fé, ou pelo excesso dela, por se deixarem abater sem reagir, ou por reagir além da conta, como se houvesse uma medida exata nas mãos daqueles que falam em “reação desproporcional”.

Há poucos dias ouvi de um estudante, não inteiramente analfabeto, que os israelenses não deveriam reagir contra o massacre de 7 de outubro de 2023, pois os atacantes não tinham noção exata do que estavam fazendo…

Não sabiam que não se deve estuprar garotas na frente de seus pais, antes de assassinar uns e outros em um tranquilo kibutz?

Não sabiam que estavam rodando pelas estradas sem identificação bélica alguma, armas escondidas, nenhum uniforme, como se fossem grupos de amigos em busca de lugar para piquenique e não um bando de criminosos machistas com sede de sangue?

Não sabiam que apenas graças a isso (e à consequente suposição de que não se tratava de inimigos) tiveram total liberdade para rodar dentro de Israel sem serem parados?

Não sabiam que, depois do maior genocídio da História (este, sim, foi um genocídio), teoricamente concebido, cuidadosamente executado, os judeus, que perderam, entre os anos 1930 e 1940, mais do que 40% de sua população, além verem destruída a civilização de língua iídiche, que hoje é uma língua morta, não estavam mais dispostos a depender de terceiros para se defender?

Em Israel, com todos os problemas que o jovem país tem, mulheres são livres e têm direitos semelhantes aos dos homens, a não ser que alguma regra religiosa limite sua ação, sejam elas judias, muçulmanas ou cristãs.

Em Israel, homens e mulheres homossexuais não são encarcerados, humilhados e, eventualmente, executados, por serem homossexuais, como em alguns países islâmicos.

Foi uma surpresa o o fato de forças militares israelenses irem à luta, batalhando pela libertação dos reféns capturados pelos militantes do grupo terrorista palestino, torturados e humilhados publicamente?

E que fez o Hamas? Dispôs-se a devolver os reféns, até a trocá-los por palestinos em prisões israelenses?

Não. Filmavam cenas reais ou simuladas e espalharam pelo mundo para alimentar o ódio anti-israelense e antissemita.

E, a meu ver, encontraram, do lado israelense, um governante que se sentia confortável com o confronto, não com a busca de solução para o impasse.

No atual mundo de faz de conta, em que fatos parecem não ter importância, argumentos ridículos começaram a aparecer.

Em vez de as pessoas se unirem para buscar soluções factíveis (há como fugir à existência de dois estados independentes?), bobagens tem sido proferidas até por pessoas que, pelas funções que exercem, deveriam ser mais responsáveis.

Como comparar Israel com África do Sul, ou Congo Belga?

O surgimento do nacionalismo judaico não tem nada a ver com o colonialismo do século 16, ou o imperialismo do século 20.

E isso posso provar, como historiador. Sugiro a leitura do meu novo livro Os Judeus, sobre o assunto.

Utilizei, para escrevê-lo, longa e cuidadosa pesquisa que fiz, anos atrás, para obter o grau de livre docente da USP (tese feita anos após o doutorado e que exige autorização de vários órgãos colegiados da universidade).

A documentação provava que o sionismo, movimento que surge no século 19 na Europa, tinha o objetivo principal de salvar os judeus russos das perseguições e da miséria pelas quais o czarismo russo era responsável.

A identidade nacional judaica, formulada por diferentes pensadores, inclusive Herzl, nada tinha de imperialista.

Nem sequer recebia o apoio da maior parte dos judeus “emancipados”, aqueles que preferiam sua vida confortável na Europa Ocidental a qualquer pedaço de terra no Oriente Médio.

E mais, é fácil verificar que parte da reação islâmica ao movimento sionista deve-se ao fato de que ele pregava relações de produção comunistas (o kibutz) para a região, algo que os grandes proprietários de terra não tinham interesse em estimular, pois isso abalaria seu poder político e econômico, baseado na exploração do camponês.

Curioso que tanta gente não soubesse nada sobre isso… Está tudo no meu novo livro. Boa leitura.

Jaime Pinsky é historiador e editor, professor titular concursado da Unicamp, doutor e livre docente da USP, ex-professor da Unesp, Assis, autor e/ou coautor de 31 livros, inclusive Os Judeus, a luta de um povo para se tornar uma nação (Contexto)

Diários

Crusoé nº 433: Operação Cala a Boca

Redação Crusoé Visualizar

Renan alcança 10% entre os jovens no primeiro turno, aponta pesquisa

João Pedro Farah Visualizar

Divirta-se com o plano de governo de Augusto Cury

Duda Teixeira Visualizar

Os candidatos que querem reformar o Judiciário

Duda Teixeira Visualizar

Israel enviou alertas aos EUA sobre planos do Irã para matar Trump

Redação Crusoé Visualizar

Por que Gakiya recusou o convite de Caiado

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A educação pela grama

A educação pela grama

Visualizar notícia
A experiência do sagrado

A experiência do sagrado

Visualizar notícia
Divirta-se com o plano de governo de Augusto Cury

Divirta-se com o plano de governo de Augusto Cury

Visualizar notícia
Efeito Tiririca

Efeito Tiririca

Visualizar notícia
Israel enviou alertas aos EUA sobre planos do Irã para matar Trump

Israel enviou alertas aos EUA sobre planos do Irã para matar Trump

Visualizar notícia
O peso da corrupção

O peso da corrupção

Visualizar notícia
O que acontece quando o aborto não tem limite?

O que acontece quando o aborto não tem limite?

Visualizar notícia
Operação Cala a Boca

Operação Cala a Boca

Visualizar notícia
Raquel Lyra escolhe namorado como primeiro suplente de Túlio Gadêlha

Raquel Lyra escolhe namorado como primeiro suplente de Túlio Gadêlha

Visualizar notícia
Renan alcança 10% entre os jovens no primeiro turno, aponta pesquisa

Renan alcança 10% entre os jovens no primeiro turno, aponta pesquisa

Visualizar notícia

Tags relacionadas

antissemitismo

Israel

Jerusalém

Terrorismo

< Notícia Anterior

A lógica do cisne catalão

20.12.2024 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Israel e Arábia Saudita

03.01.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Jaime Pinsky

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Edilene Barreto

2025-01-01 13:17:27

Excelente aula de história !! Acredito que so a educação , principalmente das novas gerações poderá reduzir a ignorância de muitos sobre esse tema !! Parabéns pelo texto !!


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-29 19:14:58

O penúltimo parágrafo é algo completamente novo para mim. Ainda que considere perfeitamente plausível, não creio ser fator preponderante para as populações árabes rejeitarem Israel desde a sua concepção.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

Edilene Barreto

2025-01-01 13:17:27

Excelente aula de história !! Acredito que so a educação , principalmente das novas gerações poderá reduzir a ignorância de muitos sobre esse tema !! Parabéns pelo texto !!


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-29 19:14:58

O penúltimo parágrafo é algo completamente novo para mim. Ainda que considere perfeitamente plausível, não creio ser fator preponderante para as populações árabes rejeitarem Israel desde a sua concepção.



Notícias relacionadas

O que acontece quando o aborto não tem limite?

O que acontece quando o aborto não tem limite?

Izabela Patriota
14.08.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Fé e razão: o básico

Fé e razão: o básico

Dennys Xavier
14.08.2026 03:30 8 minutos de leitura
Visualizar notícia
A experiência do sagrado

A experiência do sagrado

Josias Teófilo
14.08.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Por que todo maconheiro pensa que é artista?

Por que todo maconheiro pensa que é artista?

Josias Teófilo
07.08.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Herdeira de um império, brasileira de apenas 20 anos se torna a mais jovem bilionária do mundo

Herdeira de um império, brasileira de apenas 20 anos se torna a mais jovem bilionária do mundo

Visualizar notícia
Nova barreira de segurança é instalada no Google Chrome para evitar roubos de contas

Nova barreira de segurança é instalada no Google Chrome para evitar roubos de contas

Visualizar notícia
Modelo ultrapassa os 650 km/h e se torna o veículo mais rápido da história

Modelo ultrapassa os 650 km/h e se torna o veículo mais rápido da história

Visualizar notícia
Fim de uma era: tradicional banco brasileiro fecha agências e mais de 2 mil pessoas são demitidas

Fim de uma era: tradicional banco brasileiro fecha agências e mais de 2 mil pessoas são demitidas

Visualizar notícia
Instagram passa por mudança histórica e enfrenta resistência de usuários

Instagram passa por mudança histórica e enfrenta resistência de usuários

Visualizar notícia
Marcas americanas e alemã se destacam e são as mais lembradas quando o assunto é Copa do Mundo

Marcas americanas e alemã se destacam e são as mais lembradas quando o assunto é Copa do Mundo

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso