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    Os quatro cenários possíveis para Boris Johnson

    Mesmo após mais de 38 funcionários de alto escalão pedirem demissão por acharem que o governo tem sido leniente com um caso de assédio sexual, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson (foto), prometeu ficar no cargo. "O trabalho de um primeiro-ministro em circunstâncias difíceis, quando lhe foi entregue um mandato colossal, é continuar. É isso que...

    Redação Crusoé
    4 minutos de leitura 06.07.2022 18:31 comentários 2
    Boris Johnson
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    Mesmo após mais de 38 funcionários de alto escalão pedirem demissão por acharem que o governo tem sido leniente com um caso de assédio sexual, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson (foto), prometeu ficar no cargo.

    "O trabalho de um primeiro-ministro em circunstâncias difíceis, quando lhe foi entregue um mandato colossal, é continuar. É isso que vou fazer", disse Johnson. O caso em questão é o de Chris Pincher, acusado de, em uma noite de bebedeira, ter apalpado outros homens. Pincher foi nomeado como o responsável pela disciplina parlamentar. Quando o escândalo explodiu, Boris Johnson disse que não sabia das acusações contra Pincher quando o promoveu. Depois, admitiu o erro.

    Com a teimosia de Johnson em se manter no cargo, há quatro cenários possíveis.

    O primeiro é que ele consiga aplacar o descontentamento entre seus partidários e mantenha-se no cargo. É uma possibilidade baixa, uma vez que 62% dos britânicos acham que ele deveria ceder a liderança do Partido Conservador para outra pessoa. Com uma aprovação tão baixa na população em geral, em torno de 24%, os colegas de partido tendem a querer trocar de chefe.

    O segundo cenário é aquele em que Boris Johnson seria forçado a renunciar à liderança do Partido Conservador, pela incapacidade em montar uma equipe de governo. Em 2019, a conservadora Theresa May renunciou depois que 36 colaboradores a abandonaram. Boris Johnson já passou essa marca, ao elencar 38 desafetos. Nesta quarta, 6, grupos de assessores tentavam convencê-lo a se despedir, enquanto outros juravam fidelidade. Caso ele escolha sair, outro conservador assumiria a liderança do partido e o governo, o que beneficiaria seus colegas.

    O terceiro cenário possível é aquele em que o Partido Conservador enxotaria Johnson da liderança e do cargo de primeiro-ministro, o que não poderia ocorrer de imediato. No dia 6 de junho, membros do Partido Conservador realizaram uma votação interna para tentar tirar Boris Johnson de sua liderança. A queixa era que ele tinha realizado festas na residência oficial de Downing Street em meio à pandemia. Mas Johnson resistiu, com 59% dos votos. Pelas regras dos conservadores, um novo voto de não confiança só pode ocorrer depois de um ano.

    Nada impede que o comitê que estabelece as normas do partido se reúna e mude as regras, permitindo uma nova eleição interna antes desse prazo. O atual comitê já afirmou que não fará isso. Mas uma nova eleição para escolher os membros desse comitê, marcada para a semana que vem, poderá mudar a sua configuração e permitir uma alteração das regras.

    A quarta possibilidade seria a convocação de uma eleição, antecipando o calendário de 2024. Ao falar no Parlamento, Johnson aventou essa hipótese ao responder a uma pergunta, sem concluir o raciocínio. "Você está perguntando sobre algo que não vai acontecer a menos que todo mundo seja tão louco a ponto de tentar e você sabe, você tem um novo...", disse o primeiro-ministro.

    Se Johnson convocasse uma nova eleição, jogaria uma bomba no Partido Conservador. Isso porque o Partido Trabalhista, de oposição, é quem aparece melhor nas pesquisas para conseguir a maioria no Parlamento e, assim, governar o país. Os trabalhistas têm 40% das intenções de voto e os conservadores, 33%. O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, obviamente é a favor dessa possibilidade. Mais adiante, Johnson descartou a ideia. “A data mais próxima que posso ver para uma eleição geral é daqui a dois anos ou 2024", disse.

    A ameaça de convocar uma eleição antecipada é muito mais uma forma de assustar os demais conservadores e fazer com que eles parem de se rebelar do que propriamente uma possibilidade. O risco é pequeno, mas existe, principalmente porque Johnson, um populista, nunca foi um quadro muito comportado do seu partido. Vale acompanhar.

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    Comentários (2)

    Ricardo

    2022-07-07 17:57:06

    China e Rússia vibraram com a renúncia


    Eduardo

    2022-07-06 18:55:22

    A não ser a pec da vergonha quais as alternativas tem Bolsonaro a ir, mesmo desesperadamente, para o segundo turno com o único candidato possível dele vencer no turno 2 (ou dar um golpe, seu sonho dourado) junto com o partido dos generais?


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    Comentários (2)

    Ricardo

    2022-07-07 17:57:06

    China e Rússia vibraram com a renúncia


    Eduardo

    2022-07-06 18:55:22

    A não ser a pec da vergonha quais as alternativas tem Bolsonaro a ir, mesmo desesperadamente, para o segundo turno com o único candidato possível dele vencer no turno 2 (ou dar um golpe, seu sonho dourado) junto com o partido dos generais?



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