Embora a escolha dependa do tipo e estágio da doença, a quimioterapia e a radioterapia são, até os dias de hoje, os tratamentos mais utilizados para combater o câncer. No entanto, uma nova descoberta pode mudar totalmente esta realidade.
Isso porque cientistas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão (JAIST), em parceria com a empresa Daiichi Sankyo Co., Ltd. e a Universidade de Tsukuba, desenvolveram uma terapia bacteriana revolucionária.
Baseada em um consórcio microbiano especialmente projetado, chamado de AUN, a abordagem remonta a 1868, quando as primeiras descobertas sobre a possibilidade foram efetuadas.
Contudo, diferente de tratamentos anteriores, cuja eficácia era limitada em pacientes com sistemas imunológicos já debilitados, a recente descoberta parece funcionar mesmo em condições imunocomprometidas.
Para isso, foram combinadas duas cepas bacterianas naturais, sendo elas a Proteus mirabilis, que prospera em tumores, e a Rhodopseudomonas palustris, que é fotossintética. Juntas, as duas apresentaram uma eliminação tumoral notável, mesmo sem depender de células imunes.
Como funciona o tratamento bacteriano contra o câncer?
Conforme mencionado anteriormente, as duas bactérias utilizadas no tratamento trabalham em harmonia para eliminar o câncer de forma precisa e sem muitos riscos, uma vez que ambas acabam suprimindo sua patogenicidade.
Inclusive, por conta disso, a impressionante terapia apresentou efeitos colaterais muito limitados, reforçando sua efetividade até mesmo para pacientes que já estão expostos a outros tratamentos.
Quando a nova terapia para o câncer passará a ser utilizada?
Apesar de representar um marco para o tratamento do câncer, a terapia bacteriana ainda pode levar algum tempo para ser aplicada, independentemente de sua taxa de sucesso.
Contudo, de acordo com o professor Eijiro Miyako, que é o principal autor do estudo, há planos para acelerar a implementação da abordagem com a criação de uma startup.
Desta forma, a previsão é de que os ensaios clínicos sejam iniciados “dentro de seis anos”, de acordo com Miyako. Considerando que foram necessários mais de 150 anos para aperfeiçoar a terapia, a espera atual será relativamente curta.