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Edição Semana 382

A solução do sistema

Em 2026, a maioria pragmática tende a abraçar quem sobreviver à pancadaria e for bom para o Brasil

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Roberto Reis
5 minutos de leitura 29.08.2025 03:30 comentários 6
A solução do sistema
Tarcísio de Freitas. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
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Há muita tensão no ar, e seguimos todos atentos a qualquer soluço.

Quem tem um mínimo de informação respira um pouco melhor e já começa a perceber: em 2026, a maioria pragmática abraçará o político que sobreviver e for realmente bom para o Brasil.

Chamem de aporia coletiva: enquanto o sistema busca homeostase, tateamos. No fundo, sabemos que ele insiste em se rearrumar para não morrer. Não por piedade de quem paga impostos, mas por autopreservação.

Kenneth Arrow foi um economista americano, Nobel de Economia, pai da teoria da escolha social.

Nos anos 1950, ele provou algo simples e, ao mesmo tempo, devastador: quando há três ou mais candidatos, nenhuma regra de votação consegue atender ao mesmo tempo a todos os critérios razoáveis de justiça. Sempre falta um parafuso.

Em português direto, os critérios são estes.

Se todo mundo prefere A a B, o resultado precisa preferir A.

O ranking final tem de ser consistente, sem contradições.

A entrada de um nome periférico não deveria bagunçar a ordem dos principais.

Ninguém pode decidir sozinho.

Qualquer combinação de preferências precisa ser válida no jogo.

Com esse menu, algo sempre quebra. Por isso, política não é epifania. É a arte do possível.

O sistema reage para conter a entropia, busca homeostase e tenta preservar governabilidade.

Quem vende catarse entrega placebo. Quem entende o jogo abraça o pragmatismo e volta para a média.

Dito tudo isso, e aplicando agora: em 2026, a maioria pragmática tende a abraçar quem sobreviver à pancadaria e for bom para o Brasil.

Eu sigo apostando em dois derrotados: Lula e Bolsonaro. Ambos geram riscos jurídicos e políticos proibitivos.

O país volta para a média porque o sistema quer permanecer vivo. Não por piedade de quem o sustenta, mas por autopreservação.

E o possível do momento é duro para alguns eleitores: não haverá lugar para todo mundo.

Quem move o Brasil para a frente, produz, paga a conta e entrega resultado, terá espaço. Quem só atrapalha, cria tumulto e incendeia a praça, ficará de fora.

A sociedade sabe que não conseguirá abarcar todo mundo. Vai beneficiar os 40% do meio e dois terços dos 30% da direita, ou seja, mais 20%.

Sessenta por cento do país tende a sorrir em outubro de 2026. Quem ficará de fora e chorando?

Trinta por cento da esquerda. Dez por cento dos que pedem ruptura.

Eu detesto o rótulo “direita mais radical”, então uso o apelido que o próprio Bolsonaro lançou. Os maluquinhos. Entre eles, o filho Eduardo Bolsonaro, ficarão a ver navios.

Nesse contexto, a candidatura de Tarcísio é o alvo de ataque natural dos dois extremos.

A extrema esquerda e a extrema direita baterão sem parar, porque são as que mais perdem com uma escolha moderada.

A imagem da ferradura ajuda. O espectro não é uma linha, é uma curva.

Nas pontas, esquerda e direita se encurvam e quase se tocam. Parecem opostas, mas compartilham vícios gêmeos. Simplificação binária do mundo.

Culto ao líder. Aversão à imprensa livre. Desprezo aos freios e contrapesos. Rejeição à negociação e à aritmética do Congresso. Gosto por narrativa, por plebiscito emocional, por teoria da conspiração. Preferem colapso à concessão.

É uma simbiose. Sem o outro, o discurso murcha.

O centro quebra esse ciclo porque entrega governabilidade e previsibilidade.

Quando o meio funciona, a pauta dos polos seca, a verba seca, a atenção seca.

Por isso, ambos atacam Tarcísio. Ele ocupa a ponte entre as margens. Se a ponte fica de pé, as margens perdem o negócio do tumulto.

O recado prático é simples e duro. O sistema não vai salvar quem só grita. Vai salvar quem entrega. Quem produz emprego, ordem, investimento, previsibilidade. Quem desmonta armadilhas, não quem posa para elas.

E, se fôssemos Noé diante de uma arca que não comporta todos, a seleção seria objetiva. Entram os que sustentam o barco.

Vacas que dão leite, galinhas que põem ovos, ovelhas que trazem lã, bois e peixes que garantem carne, abelhas que polinizam e produzem mel.

Ficam de fora os que só tumultuam e assustam os demais. Gansos histéricos que berram sem parar, pavões que só desfilam, hienas que riem de tudo, cabritos que vivem chifrando, cães que mordem sem trabalhar, lhamas que cospem, urubus que rondam carniça e pombos que sujam o convés.

A tempestade vem. A arca terá poucos lugares. O critério é a utilidade, não a histeria.

É isso. A solução possível do sistema é seletiva, pragmática e cruel.

Bolsonaristas e petistas mais radicais não serão contemplados e não terão acesso ao paraíso pós tempestade.

O sistema está vendendo acesso apenas a quem entrega sobrevivência e progresso. Dica para todos os candidatos: para entrar, mostre entregas. Para ficar, produza.

Roberto Reis é estrategista eleitoral

X: @RobertoReis

Instagram: robertor.eis

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Roberto Reis

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Comentários (6)

Carlos Renato Cardoso Da Costa

2025-09-01 07:54:30

Oxalá. Agora precisa combinar com os caciques


Luciano Torres

2025-08-30 14:23:47

Ótimo texto mas com muito pensamento desejante. A política é irracional. A tendencia é A polarização dominar.


F-35- Hellfire

2025-08-29 22:48:30

Deus te ouça para o bem do Brasil!


F-35- Hellfire

2025-08-29 22:31:57

Estamos fartos de noticiários protagonizados por assuntos estéreis relativos à Lula/PT e Bolsonaro/família, protagonistas enroladores, cercados de bajuladores incompetentes e que não sabem tratar de coisas importantes para o Brasil crescer. Lula por exemplo, ao contrário da India e China, quer retaliar e acha que com isso irá conseguir mais eleitores e o Brasil que se dane! Bolsonaro, burro e seus filhos rachadores (não racham no trabalho, racham os salários dos seus suplentes e funcionários no Congresso) aplaudem os 50% de tarifas de Trump, e o Brasil que se dane! Ambos são cartas fora do baralho e a CPMI do INSS vem aí. Lula não sabe mais o que fazer e o que faz só são tiros no próprio pé, Bolsonaro idem! Precisamos de gente séria, competente e trabalhadora. Precisamos virar essas páginas trágicas da nossa história e jamais esquecê-las, para que jamais voltem a acontecer. Parabéns pelo excelente artigo Roberto Reis!


Magdalena Buzolin

2025-08-29 08:19:58

Excelente texto, um resumo de nosso momento onde devemos prestar atenção aos dois lados macabros que destruiram nossa chance de encontrarmos um caminhos que nos una e que nos mantem na prancha do navio a ponto de sermos atirados aos tubarões


Avelar Menezes Gomes

2025-08-29 05:59:05

Precisaríamos alguém menos comprometido com o Bolsonaro. A pecha de bolsonarista é uma pedra no caminho do Tarciso e ele não tem mostrado disposição para se desfazer dela, acho que mais por cálculo politico do que por gratidão ou afinidade .


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Carlos Renato Cardoso Da Costa

2025-09-01 07:54:30

Oxalá. Agora precisa combinar com os caciques


Luciano Torres

2025-08-30 14:23:47

Ótimo texto mas com muito pensamento desejante. A política é irracional. A tendencia é A polarização dominar.


F-35- Hellfire

2025-08-29 22:48:30

Deus te ouça para o bem do Brasil!


F-35- Hellfire

2025-08-29 22:31:57

Estamos fartos de noticiários protagonizados por assuntos estéreis relativos à Lula/PT e Bolsonaro/família, protagonistas enroladores, cercados de bajuladores incompetentes e que não sabem tratar de coisas importantes para o Brasil crescer. Lula por exemplo, ao contrário da India e China, quer retaliar e acha que com isso irá conseguir mais eleitores e o Brasil que se dane! Bolsonaro, burro e seus filhos rachadores (não racham no trabalho, racham os salários dos seus suplentes e funcionários no Congresso) aplaudem os 50% de tarifas de Trump, e o Brasil que se dane! Ambos são cartas fora do baralho e a CPMI do INSS vem aí. Lula não sabe mais o que fazer e o que faz só são tiros no próprio pé, Bolsonaro idem! Precisamos de gente séria, competente e trabalhadora. Precisamos virar essas páginas trágicas da nossa história e jamais esquecê-las, para que jamais voltem a acontecer. Parabéns pelo excelente artigo Roberto Reis!


Magdalena Buzolin

2025-08-29 08:19:58

Excelente texto, um resumo de nosso momento onde devemos prestar atenção aos dois lados macabros que destruiram nossa chance de encontrarmos um caminhos que nos una e que nos mantem na prancha do navio a ponto de sermos atirados aos tubarões


Avelar Menezes Gomes

2025-08-29 05:59:05

Precisaríamos alguém menos comprometido com o Bolsonaro. A pecha de bolsonarista é uma pedra no caminho do Tarciso e ele não tem mostrado disposição para se desfazer dela, acho que mais por cálculo politico do que por gratidão ou afinidade .



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