Trump aposta na "submissão" de Delcy Rodríguez?
Crusoé conversou com José Vicente Carrasquero sobre possível transição e reinstitucionalização da Venezuela após Maduro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no domingo, 4, estar disposta a cooperar com os Estados Unidos e com o governo Trump.
Desde a captura de Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump preferiu por apostar na possível subserviência de uma liderança chavista.
"Ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente", afirmou Trump, acrescentando que o secretário Marco Rubio havia conversado com Delcy.
Washington aposta que Delcy e seu irmão, Jorge Rodríguez, mantenham influência sobre o serviço de inteligência, Judiciário e aparato de segurança. Ao mesmo tempo, poderiam evitar uma ruptura ainda maior no país.
Diante do cenário, a oposição liderada por María Corina Machado e Edmundo González adotou cautela sobre os próximos passos.
Crusoé conversou com o cientista político venezuelano José Vicente Carrasquero, que avaliou o novo cenário político do país e os desafios de uma possível transição.
Trump e Delcy Rodríguez já deram sinais mútuos de diálogo. Qual será o papel dela?
Bom, então a palavra não vai ser “diálogo”, certo? Há uma frase-chave de Trump ontem, quando ele disse que eles iriam comandar o país: “We are going to run the country”. “Nós vamos administrar o país” seria uma tradução possível. E isso significa que eles vão ditar as ordens, e a Delcy [Rodríguez] caberá obedecer.
Delcy viverá o dilema de sinalizar simultaneamente ao chavismo e a Trump?
O que se vive aqui é um ato de submissão a um poder que demonstrou capacidade de fogo e diante do qual você está se rendendo. Basicamente, é isso que está em jogo. Basicamente, isso se insere em um período de abertura — ou de transição.
Qual o papel de María Corina e Edmundo González em uma possível transição?
María Corina e Edmundo González ficam inseridos nesse processo de transição, no qual imagino que uma das tarefas centrais seja a reinstitucionalização do país.
Um novo Conselho Nacional Eleitoral, novas instituições e, muito provavelmente, um novo processo eleitoral, no qual não tenho a menor dúvida de que as forças democráticas voltarão a vencer. É isso que parece estar se desenhando neste momento.
Quanto tempo vai durar essa transição? Não sabemos. Coube a Trump lembrar a Delcy que ela precisa “se comportar bem”, não é? Ou seja, que precisa obedecer, basicamente. E esse é o estado da situação neste momento.
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