Por que a Rússia bloqueou o WhatsApp
Telegram também sofreu restrições de acesso no território russo
A Rússia removeu na quarta-feira, 11, o aplicativo de mensagens WhatsApp, do grupo Meta, do diretório online administrado pela Roskomnadzor, a agência reguladora da internet russa.
O aplicativo tinha pelo menos 100 milhões de usuários no país controlado pelo ditador Vladimir Putin.
"Hoje, o governo russo tentou bloquear completamente o WhatsApp, numa tentativa de direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal. Tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas da comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia", disse o WhatsApp no X.
Classificados como "extremistas", o Facebook e o Instagram também foram removidos do diretório, ficando acessíveis apenas por meio de VPNs.
Citando analistas russos de internet, o Financial Times informou que o acesso ao Youtube também foi prejudicado. Não há clareza, no entanto, se a plataforma de transmissão de vídeos do Google foi completamente removida pela Roskomnadzor.
A desculpa russa
O Kremlin confirmou nesta quinta, 12, ter bloqueado o WhatsApp, alegando que a plataforma resistia em "cumprir a lei" russa.
"Essa decisão de fato foi tomada e implementada [pela] relutância do WhatsApp em cumprir as normas e a letra da lei russa", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas.
E o Telegram?
O fundador do Telegram, Pavel Durov, denunciou na terça-feira, 10, a restrição de acesso ao aplicativo de mensagens em território russo.
"A Rússia está restringindo o acesso ao Telegram para forçar seus cidadãos a usar um aplicativo controlado pelo Estado, criado para vigilância e censura política. Essa medida autoritária não mudará nosso rumo. O Telegram defende a liberdade e a privacidade, independentemente da pressão.
Há 8 anos, o Irã tentou a mesma estratégia — e falhou. Proibiu o Telegram sob pretextos inventados, tentando forçar as pessoas a usar uma alternativa estatal. Apesar da proibição, a maioria dos iranianos ainda usa o Telegram (contornando a censura) e o prefere a aplicativos monitorados. A liberdade prevalece", escreveu Durov no X.
Na Rússia, o Telegram é mais popular do que o WhatsApp e tem sido o principal meio de comunicação não militar entre os soldados que estão no front da guerra da Ucrânia e suas famílias.
Max
Como alertou Durov, o Kremlin atua para forçar a população russa a utilizar o Max, uma plataforma de comunicação desenvolvida pelo próprio Estado.
Inspirado no WeChat chinês, o aplicativo da VKontakte (VK) combina mensagens e serviços governamentais sem qualquer criptografia, o que facilita a vigilância estatal.
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