Por que a PF não indiciou o desembargador que relatava o caso TH Joias
Macário Judice Neto foi preso na segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações a integrantes do Comando Vermelho
Ao contrário do presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil) e do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Macário Judice Neto, preso na segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações a integrantes do Comando Vermelho, não foi indiciado pela Polícia Federal.
Como justificativa, a PF alegou que, por ser desembargador, ele estaria sujeito às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura.
O artigo 33 da LOMAN determina "quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação".
A ajuda de Temer
Segundo a revista Veja, Macário pediu ajuda ao ex-presidente Michel Temer para que intercedesse por ele junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de quem Temer é amigo, a fim de evitar sua prisão.
O desembargador se encontrou com Temer em 10 de dezembro, uma semana depois da prisão de Bacellar.
O ex-presidente e ele conversaram por cerca de uma hora.
Aliviado, ele escreveu à esposa Flávia:
"A gente chegou a redigir uma mensagem que ele ia mandar, mas ele disse: ‘se você não tá no radar, e não tem nada na cabeça dele que te ligue, você vai despertar isso pra quê?’ Ele é muito esperto, né amor"
Os registros do encontro constam no relatório entregue pela Polícia Federal ao ministro do STF.
Macário tinha "esperança de que Temer intercederia a seu favor junto a vossa excelência com o intuito de frear a investigação", diz a PF.
"O alívio dos interlocutores é nítido após as palavras de tranquilidade apresentadas por Temer e escancara o período de tensão vivido pelo casal", acrescentou.
O desembargador foi preso seis dias depois da visita ao ex-presidente.
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