Para Itamaraty, o problema no Irã é Trump
Governo Lula só tem fôlego para criticar ditadura nos filmes de Kleber Mendonça Filho ou do Walter Salles
Duas semanas depois do início dos protestos no Irã, o Itamaraty publicou uma nota sobre o assunto nesta terça, 13.
O texto não faz qualquer crítica ao regime comandado pelo líder-supremo Ali Khamenei, que enviou a Guarda Revolucionária, as Forças Armadas e as milícias basij para massacrar a população.
Na mensagem brasileira, não há qualquer pedido para que o regime pare com sua onda repressiva.
Em vez disso, o governo brasileiro se mostra mais preocupado com o presidente americano Donald Trump.
É como se Trump fosse o responsável pela carnificina, e não os aiatolás iranianos.
Crime sem autor
"O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã. O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas", começa a nota do Ministério das Relações Exteriores.
A nota não diz em momento algum quem é o responsável pelas mortes. É como se as pessoas morressem do nada. Não há qualquer palavra falando da repressão por parte das forças do regime teocrático xiita de Teerã.
"Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", continua o Itamaraty.
Ao dizer que "cabe aos iranianos", o Itamaraty insinua que atores extenos, como Donald Trump, não deveriam se meter.
A defesa da soberania sempre pode ser justificada, em respeito ao direito internacional.
Acontece que não tem cabimento dizer que cabe aos iranianos decidir sobre o futuro de seu país, quando eles estão sendo alvejados por balas neste exato momento.
Mais de 500 pessoas já morreram, e o número pode ser muito maior, uma vez que o governo suspendeu a internet e há pouca informação sobre o que está acontecendo no país.
O que os nossos diplomatas deveriam pedir, com urgência, é o fim do massacre da população do país.
O problema é que o governo Lula só tem fôlego para criticar a ditadura nos filmes de Kleber Mendonça Filho ou do Walter Salles.
Leia em Crusoé: A ferida aberta é no Irã, não no Brasil
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