O que Lula não captou sobre a captura de Maduro
Depois de aplaudir desfile militar em Moscou, petista não tem moral para criticar Trump
O presidente Lula divulgou uma mensagem neste sábado, 3, comentando a captura do ditador Nicolás Maduro (foto), sem citá-lo pelo nome.
O petista pediu respeito ao direito internacional, que foi infringido pelos Estados Unidos ao atacar a Venezuela e assumir o governo do país por meio da força bélica.
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", escreveu Lula nas redes sociais.
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões."
A soberania dos países, de fato, deve sempre ser respeitada.
Mas, em primeiro lugar, Lula não tem qualquer moral para falar desse assunto.
Além do mais, o petista tem optado por ignorar a dura realidade dos venezuelanos, que estão comemorando o fim da tirania.
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump pode até ter rasgado algumas regras do direito internacional, mas o fato é que há questões éticas de cunho universal que são muito mais prementes.
Foragido
Trump justificou a ação militar dizendo que Maduro e sua esposa Cilia Flores enviaram drogas para os EUA, foram denunciados e estavam foragidos da Justiça.
É uma acusação que pode até não se sustentar ao longo do processo, que será conduzido de maneira independente e com Maduro e Cilia tendo direito de defesa.
Mas essa acusação de narcotráfico, que busca dar validade legal para a ação, é ínfima perto do significado da mudança que está em curso.
Há coisas muito mais importantes.
Maduro era um presidente ilegítimo, que perdeu as eleições de julho de 2024 e não entregou o poder.
Desde a fraude eleitoral, sete pessoas foram assassinadas nos calabouços do regime.
Há ainda mais de 900 presos políticos no país. O regime ameaçou que mataria a todos caso algo acontecesse com o ditador. Agora, há uma enorme angústia entre os familiares sobre o destino de todos eles.
Mais de 8 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde o governo de Hugo Chávez, fugindo da fome e da perseguição política.
Famílias foram separadas, mulheres se tornaram vítimas de traficantes de pessoas, membros da gangue Trem de Aragua, apoiada por Maduro, passaram a extorquir e assassinar conterrâneos em outros países da América Latina.
Tudo isso faz com que a intervenção americana, embora desrespeite algumas regras básicas do direito internacional, seja amparada pela defesa dos direitos humanos.
O presidente francês Emmanuel Macron e outros líderes europeus entenderam isso.
"O povo venezuelano está hoje livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar. Ao tomar o poder e atropelar as liberdades fundamentais, Nicolás Maduro minou gravemente a dignidade do seu próprio povo. A transição que se aproxima deve ser pacífica, democrática e respeitosa da vontade do povo venezuelano. Desejamos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, possa assegurar essa transição com rapidez", escreveu o francês na rede X.
Lula, contudo, nunca se preocupou com a situação dos venezuelanos. Era a amizade e os negócios com Maduro que sempre importaram ao petista.
Ucrânia
O presidente brasileiro tampouco se importou com a situação dos ucranianos, que tiveram suas vidas profundamente alteradas após a invasão russa.
Lula nunca condenou Vladimir Putin por seus crimes de guerra ou pelo sequestro de crianças ucranianas, que renderam ao russo um mandado de prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
O brasileiro ainda queria trazer Putin ao Brasil e foi até Moscou para assistir a um desfile militar, com soldados e armas usados pelos russos na Ucrânia.
Uma comparação entre a invasão russa da Ucrânia e a ação americana na Venezuela revelam a falta e caráter de Lula.
Putin invadiu a Ucrânia sem qualquer justificativa plausível. Bombardeou bairros civis e sequestrou crianças. Seu objetivo era depor o governo legítimo da Ucrânia, comandado pelo presidente Volodymyr Zelensky.
Nas regiões do Leste do país, ucranianos que viviam com total liberdade em uma democracia foram submetidos a um regime de medo, com lobotomia nas escolas e a imposição de governadores fantoches do Kremlin.
Trump, por outro lado, não invadiu a Venezuela, mas colocou em movimento uma transição democrática. Não houve ataques a civis e Maduro terá pleno direito para se defender na Corte em Nova York.
Venezuelanos que estavam privados de liberdades finalmente podem sonhar com retomar seus direitos, como o de não serem detidos, torturados e assassinados pelos capangas do regime.
Mais do que uma questão de direito internacional, a ação americana na Venezuela tem como pano de fundo a valorização dos direitos humanos.
E esse assunto nunca foi um forte de Lula, como atesta sua amizade com diversos ditadores, entre eles, Nicolás Maduro.
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Comentários (2)
Aldo
2026-01-03 19:19:00Infelizmente os bitolados de esquerda não enxergam nada disso e nem a falta de caratér e o populismo demagógico de Lula. Se Lula estiver junto a uam multidão da esquerdalha e por acidente liberar algum gás intestinal, provocará um empurra-empurra em seu redor, com todos querendo cheirar um pouquinho.
Clayton De Souza pontes
2026-01-03 19:14:57O Maduro não iria entregar o poder, mesmo depois de vencido nas últimas eleições. Daí, só com ajuda externa mesmo. Pode haver interesse econômico do Trump por traz desse movimento, mas o podi venezuelano deve estar contente com a possibilidade de troca de governo