Muito a perder e pouco a ganhar no Carnaval de Lula
"É mais um reforço de narrativa para quem já o aprova e gosta, do que transformação de percepções", afirma Bruno Soller
O desfile eleitoreiro da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula (foto) pode atrapalhar os planos do presidente de tentar a reeleição este ano.
Os partidos Novo e Missão, além do senador Flávio Bolsonaro, prometeram ou já entraram com ações para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tomar um posicionamento.
A senadora Damares Alves e os deputados Kim Kataguiri e Sanderson também falaram em ações no Tribunal de Contas da União (TCU) e na Justiça comum.
O custo para Lula pode ser alto.
A pergunta que fica, então, é se o risco valeu a pena.
Em outras palavras: aquilo que Lula poderia ganhar de votos com o desfile na Sapucaí compensaria uma possível condenação na Justiça?
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Para o cientista político e colunista de Crusoé Bruno Soller, o desfile teria pouco a agregar em termos eleitorais ao presidente da República.
"O desfile teve muita polêmica para um efeito que tende a ser ínfimo. É mais um reforço de narrativa para quem já o aprova e gosta, do que transformação de percepções", afirma Soller.
"Lula já teve seu filme biográfico transmitido em TV aberta e tem uma consolidação de imagem na cabeça do brasileiro", diz o cientista político, referindo-se ao filme Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto.
"O desfile foi um grande jogo de soma zero, que pode acarretar em problemas legais para sua candidatura, a depender das interpretações da Justiça sobre antecipação eleitoral ou uso desproporcional da máquina pública. A escolha de investir em uma provocação ao ex-presidente Jair Bolsonaro mostra que a construção de posicionamento político segue sendo a de turbinar a polarização contra o adversário, enxergado como o ideal para se enfrentar."
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