Mediações de Trump fracassam? Encontro ou acordo entre Putin e Zelensky é improvável
Embora Zelensky tenha manifestado seu desejo urgente de se encontrar com Putin para discutir o fim do conflito, a realidade política atual não parece favorecer essa possibilidade

O esperado encontro entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o líder russo Vladimir Putin, inicialmente promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece cada vez mais distante.
O último encontro pessoal entre Zelensky e Putin ocorreu em dezembro de 2019, em Paris. Na ocasião, o clima foi tenso e o ucraniano demonstrou desconforto durante a coletiva de imprensa, especialmente quando Putin mencionou as condições que Kiev deveria atender no processo de negociações.
Embora Zelensky tenha manifestado seu desejo urgente de se encontrar com Putin para discutir o fim do conflito, a realidade política atual não parece favorecer essa possibilidade.
Há vários pontos problemáticos que tornam essa interação improvável. Um dos principais obstáculos é a contestação da legitimidade de Zelensky por parte do Kremlin.
Putin argumenta que Zelensky perdeu sua autoridade ao não convocar eleições após o término de seu mandato regular em maio do ano passado. Contudo, na Ucrânia, o estado de guerra impede a realização de votações.
Autoridades ucranianas afirmam que os poderes de Zelensky permanecem válidos até que um acordo de paz seja alcançado e novas eleições possam ser realizadas.
Em resposta, Trump criticou abertamente essas alegações como "absurdas", embora ainda não tenha conseguido promover um encontro entre os dois presidentes.
Em Moscou, Zelensky é frequentemente retratado como uma "marionete" de elites ocidentais hostis à Rússia, que estariam usando a Ucrânia como um meio para enfraquecer a potência russa.
Sem acordo
No que diz respeito ao desejo de paz, Zelensky acusa Putin de impor tantas condições para um acordo que se torna difícil avançar nas negociações.
O presidente ucraniano deseja primeiro um cessar-fogo antes de prosseguir com discussões mais profundas sobre a paz. Por outro lado, Putin rejeita propostas anteriores de cessar-fogo e sugere que Kiev utilizará esses período para rearmamento com apoio ocidental.
Após uma cúpula na Casa Branca com Trump e líderes europeus, Zelensky reafirmou sua recusa em abrir mão de qualquer território exigido por Moscou, invocando sua constituição. Ele apelou por maior pressão sancionatória sobre Putin e reforço militar ocidental para a Ucrânia.
Enquanto isso, fontes russas sugerem que Zelensky poderia estar utilizando a continuidade do conflito como estratégia para evitar eleições, o que alimenta especulações sobre possíveis lutas internas pelo poder na Ucrânia.
O nacionalista ucraniano Serhij Sternenko chegou a ameaçar publicamente Zelensky caso ele cedesse território.
As condições impostas por Moscou são vistas como exigências que visam levar à capitulação da Ucrânia. Tanto Kiev quanto seus aliados europeus rejeitam qualquer forma de acordo que implique na rendição da Ucrânia.
Putin, por sua vez, parece determinado a não permitir um novo congelamento do conflito semelhante ao vivido durante o governo anterior ucraniano sob Petro Poroshenko; ele busca uma resolução definitiva conforme suas condições.
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