Destituição de Jerí marca oitavo presidente do Peru em dez anos
Escândalos de corrupção e instabilidade ditam a política peruana na última década
A destituição de José Jeri da presidência interina do Peru reacende a instabilidade política do país na última década.
Na quarta-feira, 18, será eleito um novo chefe do Legislativo, que assumirá automaticamente o Executivo interinamente até 28 de julho.
O novo presidente será o oitavo a ocupar o cargo em dez anos.
"Chifagate"
O principal motivo de sua destituição foi uma investigação por suposto tráfico de influência após encontros escondidos com um chinês que manteve contratos com o Estado.
Jeri afirmou que entregará um relatório de suas ligações telefônicas como parte dos trâmites da investigação.
O MP abriu investigações preliminares contra Jerí por suposto tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses, após a imprensa peruana revelar vídeos de dois encontros com o empresário chinês Zhihua Yang.
Em uma das gravações, ele aparece entrando à noite em um restaurante com a cabeça coberta pelo capuz de um moletom.
Além disso, reportagens indicaram que Jeri contratou mulheres após reuniões noturnas no Palácio do Governo.
Instabilidade
Jeri assumiu o poder após Dina Boluarte ser destituída pelo Congresso em meio a protestos massivos pela crise de segurança decorrente do aumento da extorsão e do sicariato.
No entanto, o ciclo de instabilidade começou em 2016, com a eleição de Pedro Pablo Kuczynski.
Seu governo terminou em março de 2018, quando entregou uma carta de renúncia antes de enfrentar um iminente processo de impeachment por “incapacidade moral permanente”.
Kucszynski viu seu apoio político ser corroído após as investigações sobre seus laços com a Odebrecth.
Ele era acusado de receber pagamentos de empresas quando era ministro. Além disso, o então presidente era criticado pelo controverso indulto concedido a Alberto Fujimori.
Em 2018, Martín Vizcarra assumiu o governo, mas seu mandato durou até 2020. Ele foi destituído por possíveis recebimentos indevidos enquanto era governador.
Anos depois, foi condenado a 14 anos de prisão por aceitar subornos.
Em seguida, o Peru teve na Presidência: Manuel Marino, Francisco Sagasti, Pedro Castillo e Dina Boluarte.
A corrupção e a instabilidade política têm acompanhado o Peru de forma recorrente nos últimos dez anos, mantendo o país em um cenário de constante turbulência institucional.
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