Cuba também vai cair de Maduro?
Se a ação militar americana na Venezuela provocar um efeito dominó na ilha comunista, a população cubana só terá a ganhar com isso
Foi só o presidente Donald Trump capturar o ditador Nicolás Maduro para políticos saírem nas redes sociais falando da ameaça que essa ação militar representa para outros países da região no futuro.
Lula foi um deles, ao dizer que "atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo".
Trump de fato ignorou o direito internacional ao desrespeitar a soberania venezuelana.
Mas não existe qualquer risco de o governo Trump sair por aí capturando outros governantes da América Latina.
A ousada ação americana de sábado, 3, pode, sim, ter um efeito dominó, mas não será em democracias da região, e sim na ditadura de Cuba.
É por isso que o ditador Miguel Díaz-Canel foi um dos mais exaltados ao criticar a captura de Maduro.
“Abaixo o imperialismo genocida, imoral e fascista. Esse ato de imperialismo que ocorreu na Venezuela é um escandaloso ato de violação internacional. Essa agressão militar contra uma nação soberana, que não representa uma ameaça aos Estados Unidos e o sequestro do presidente legítimo [Nicolás Maduro], eleito soberanamente pela população, não pode haver silêncio sobre esse ato de terrorismo", disso o ditador em um discurso em Havana.
"O interesse dos Estados Unidos é o petróleo venezuelano, são as terras venezuelanas. Isso não é o seu jardim. Não aceitaremos ou reconheceremos a doutrina Monroe. Pela Venezuela e, claro, por Cuba, estamos dispostos a dar até mesmo o nosso sangue até nossas vidas. Mas nós faremos que eles paguem um preço muito alto.”
O pavor de Díaz-Canel é que Cuba fique sem os barris de petróleo da Venezuela.
Estado parasita
A estatização e a destruição da economia em Cuba pelo governo comunista no início da década de 1960 transformou Cuba em uma ilha parasita, que depende dos outros para se manter.
Até os anos 1990, coube à União Soviética sustentar a ilha.
Depois dos anos 2002, a Venezuela assumiu esse papel.
Hoje, o petróleo venezuelano é essencial para acionar as termoelétricas, que fornecem eletricidade para os habitantes da ilha.
O Brasil, que chegou a ajudar a ditadura durante o governo Dilma Rousseff com o programa Mais Médicos, hoje tem limites claros para ajudar a ilha comunista.
Os cubanos odeiam a ditadura e já manifestaram isso nas ruas, em 11 de julho de 2021. A repressão que se seguiu foi brutal.
Díaz-Canel e Raúl Castro temem que os cubanos voltem a pedir liberdade, insatisfeitos pelos constantes apagões.
Diosdado Cabello
Para evitar perder a boquinha venezuelana, os cubanos tentarão exercer influência com Diosdado Cabello, o chavista mais próximo da ditadura e que também está envolvido com o narcotráfico.
Cabello, que teme acabar em uma prisão americana como Maduro, fará o possível para impedir qualquer aproximação com os EUA.
E Cabello tem o controle de grande parte da inteligência cubana que domina o Estado profundo da Venezuela.
Não há, agora, como saber qual será o desfecho dessa disputa de poder no governo da Venezuela, após a saída de Maduro.
Mas, se a ação militar americana na Venezuela provocar um efeito dominó na ilha comunista, a população cubana só terá a ganhar com isso.
Leia em Crusoé: Quem vai mandar na Venezuela?
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