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Diários

Chavismo de joelhos para Trump

Alto escalão se rende ao controle financeiro dos EUA em troca de sobrevivência política e física

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João Pedro Farah
4 minutos de leitura 07.01.2026 21:39 comentários 0
Chavismo de joelhos para Trump
O ditador com a primeira-dama, em campanha: mesma estratégia de Vladimir Putin
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Por décadas o chavismo se orgulhava de enfrentar o "imperialismo norte-americano".

A captura do ditador Nicolás Maduro, no último sábado, 3, silenciou os estrondos retóricos do regime venezuelano.

Em busca de sobrevivência política, e física, os remanescentes do alto escalão da estrutura chavista se renderam aos interesses dos Estados Unidos.

Petróleo

A atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo bruto.

Não só isso, como também aceitou a perda total da sua autonomia financeira.

Os recursos obtidos com a venda de petróleo e derivados venezuelanos serão “depositados em contas controladas pelos Estados Unidos".

"Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA. As vendas de petróleo começam imediatamente, com a previsão de venda de aproximadamente 30 a 50 milhões de barris, e continuarão por tempo indeterminado”, diz trecho da nota oficial do Departamento de Energia dos EUA.

Soma-se a isso a reconhecida dependência técnica - agora admitida - da importação de diluentes dos EUA, deixando claro a incapacidade da estatal PDVSA de operar de forma independente.

Na sequência, Trump anunciou que as receitas do petróleo seriam usadas exclusivamente para a compra de produtos americanos.

Com isso, Washington reduz a dependência tecnológica que Caracas mantém em relação à China, Irã e Rússia.

A passividade do regime chavista contrasta com o discurso de semanas atrás, quando o chavismo jurava que "nem uma gota de petróleo" sairia para os EUA.

Diosdado Cabello

A revelação da agência Reuters de que o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, teria recebido um aviso de que seria o próximo alvo dos Estados Unidos também contrasta com a retórica agressiva de dezembro,

Até o momento, o homem que controla o aparato repressivo não retomou a narrativa de "guerra popular prolongada".

Mas Cabello pode se tornar um entrave e sabotar o processo de aproximação entre os Estados Unidos e Venezuela.

Paralelamente, teme ter o mesmo destino de Maduro, uma vez que também foi acusado de narcotráfico no mesmo indiciamento divulgado no sábado, 3.

Influência máxima

Nesta quarta, 7, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo Trump tem “influência máxima” sobre as autoridades interinas na Venezuela.

“Com relação à Venezuela, o governo Trump, liderado pelo secretário [Marco] Rubio, pelo vice-presidente e por toda a equipe de segurança nacional do presidente, está em estreita correspondência com as autoridades interinas na Venezuela. Obviamente, temos máxima influência sobre as autoridades interinas na Venezuela neste momento. E o presidente deixou muito claro que este é um país dentro dos Estados Unidos, no Hemisfério Ocidental, próximo aos Estados Unidos, que não enviará mais drogas ilegais para os Estados Unidos da América”, disse Leavitt, em entrevista coletiva.

Sinuca de bico

Publicamente, Delcy Rodríguez denuncia o "sequestro" de Maduro e de sua esposa Cilia Flores.

A estratégia busca manter a coesão da base radical chavista e assegurar que os gabinetes sigam cumprindo as diretrizes do regime.

Nos bastidores, quem conduz o processo é o secretário de Estado Americano, Marco Rubio, que já traçou um plano de três fases para a recuperação da Venezuela.

O que restou, por ora, é uma administração subserviente aos Estados Unidos.

A retórica que outrora confrontava os “interesses americanos” agora se curva ao governo Trump, movida pelo receio de ter o mesmo fim de Nicolás Maduro.

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