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Argentina: cartazes em Buenos Aires pedem voto em branco a dias da eleição

Cartazes com apelos pelo voto em branco surgiram nas ruas de Buenos Aires a poucos dias do dia de votação do segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para este domingo, 19 de novembro. Essa propaganda é contrária ao candidato libertário Javier Milei. Os cartazes comparam Milei ao seu reconhecido ídolo, o ex-presidente Carlos Menem, que...

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Caio Mattos, De Buenos Aires
4 minutos de leitura 17.11.2023 14:39 comentários 0
Argentina: cartazes em Buenos Aires pedem voto em branco a dias da eleição
Crusoé/ Caio Mattos
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Cartazes com apelos pelo voto em branco surgiram nas ruas de Buenos Aires a poucos dias do dia de votação do segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para este domingo, 19 de novembro.

Essa propaganda é contrária ao candidato libertário Javier Milei.

Os cartazes comparam Milei ao seu reconhecido ídolo, o ex-presidente Carlos Menem, que governou a Argentina durante quase toda a década de 1990.

"Outra vez alguém de costeletas? #EuVotoEmBranco", diz a metade de baixo do poster, com a imagem de ambos políticos, em referência à estética deles.

Para frear a hiperinflação da virada da década de 1980 e 1990, Menem liberalizou a economia, mas sem zelo pela precarização das condições de trabalho.

O seu governo estabeleceu uma taxa de conversão monetária fixa de 1 peso para 1 dólar.

Semelhante à dolarização oficial, que pleiteia Milei, essa política foi uma terapia de choque para a inflação, que acabou contida.

Entretanto, a convertibilidad, como ficou conhecida, precarizou a indústria nacional e demandou empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a venda de estatais para se sustentar.

Acrescidos o avanço da tecnologia e uma crise econômica no México com impacto internacional, o desemprego e a pobreza na Argentina foram de mínimas de 6,3% e 26,9%, respectivamente, a picos de 18,4% e 40,2% ao longo dos anos 1990.

O colapso desse sistema em 2001, já durante o governo do sucessor de Menem, o radical Fernando De La Rúa, resultou na pior crise econômica da história recente da Argentina.

A taxa de pobreza chegou acima dos 50% e o governo precisou congelar as contas bancárias dos argentinos para evitar a fuga de capitais.

Nesse contexto, uma onda de manifestações pacíficas e também de atos de vandalismo levou à queda de De La Rúa, que precisou fugir da Casa Rosada de helicóptero em dezembro de 2001.

São esses protestos a que se refere a metade de cima do poster: "Dezembro 2001. Assim terminou a última dolarização".

Ainda não é possível afirmar quem é responsável pela colagem desses cartazes. Pelo menos uma leva desses posters se encontra em uma esquina no bairro de Palermo, zona nobre da cidade de Buenos Aires.

Ao lado e acima há cartazes com o logo da Federação Universitária Argentina (FUA), uma entidade representante das universidades públicas, em contra de uma das propostas de Milei para a Educação.

Crusoé entrou em contato com a FUA, mas não obteve resposta até as 14h40 desta sexta-feira, 17 de novembro.

Crusoé/ Caio Mattos
Crusoé/ Caio Mattos

 

Voto em branco por Massa

Os pedidos em voto em branco são um claro apoio implícito ao candidato da situação peronista, o ministro da Economia, Sergio Massa.

Como apontam as últimas pesquisas eleitorais, incluindo monitoramentos internos dos últimos dias (a legislação proíbe a divulgação de pesquisas desde a semana passada), Massa tem uma maior rejeição do que Milei.

Portanto, o peronista tem um teto mais baixo, quer dizer, o limite máximo de votos que ele pode alcançar tende a ser menor que o do libertário.

Isso significa, portanto, que quanto maior a taxa de participação e a de votos válidos, o que exclui os votos em branco, maiores as chances de Milei ganhar, pelo menos, segundo as pesquisa.

Crusoé entrou em contato com a campanha de Massa, mas não obteve resposta até as 14h40 desta sexta.

Leia também: Quem são os “piqueteiros”, a linha de frente nas ruas contra um governo Milei

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