Brasil analisa acordo entre EUA e Argentina
Negociação entre Buenos Aires e Washington preocupa Brasília e pode levar a uma disputa entre parceiros de Mercosul
O governo brasileiro abriu consultas internas para avaliar o possível acordo comercial entre Estados Unidos e Argentina e seus efeitos sobre o Mercosul.
Técnicos do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento estudam se concessões tarifárias bilaterais podem contrariar a regra do bloco que exige negociação conjunta com terceiros países, segundo a Reuters.
A preocupação surgiu depois de Buenos Aires retomar conversas com Washington para reduzir tarifas em setores específicos. O tema ganhou peso porque o Mercosul opera com uma tarifa externa comum e prevê coordenação nas tratativas externas.
O Brasil teme abrir precedente que incentive acordos paralelos e reduza a capacidade de barganha do grupo em negociações maiores.
Integrantes do governo argentino afirmam que o país busca acesso mais amplo ao mercado americano para bens industriais e agrícolas em meio à escassez de dólares e à necessidade de recuperar atividade.
A estratégia inclui discutir cotas e reduções graduais de impostos de importação. Em Brasília a leitura é que qualquer preferência exclusiva pode ferir compromissos assinados.
Fontes ouvidas pela Reuters dizem que o Itamaraty avalia pedir esclarecimentos formais aos parceiros e levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias se houver assinatura.
Há também conversas reservadas para evitar eventuais desgastes diplomáticos. O governo brasileiro prefere manter o bloco funcionando enquanto negocia acordos externos como o tratado com a União Europeia.
Empresas brasileiras acompanham com atenção. Exportadores de autopeças e químicos receiam perder mercado caso a Argentina passe a importar insumos americanos com alíquotas menores. Ao mesmo tempo, parte da indústria vê chance de pressionar por maior flexibilidade nas regras do Mercosul, tema discutido há anos entre os sócios.
Historicamente o bloco já enfrentou divergências recentes sobre redução da tarifa comum e abertura unilateral. O episódio ocorre em momento de negociações comerciais mais ativas na região, com governos buscando investimento e crescimento.
O desfecho vai depender do formato final do acordo e de quanto espaço jurídico ele deixará para contestação brasileira. Nos próximos dias diplomatas devem trocar informações técnicas e calcular impactos setoriais.
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