Barros nega 'relação pessoal' com dono da Precisa e favorecimento à empresa
O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (foto), declarou nesta quinta-feira, 12, que não tem uma "relação pessoal" com o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. A empresa atuou como intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech na negociação com o Ministério da Saúde pelo fornecimento de 20 milhões de doses da Covaxin. Aliado do...

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (foto), declarou nesta quinta-feira, 12, que não tem uma "relação pessoal" com o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. A empresa atuou como intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech na negociação com o Ministério da Saúde pelo fornecimento de 20 milhões de doses da Covaxin.
Aliado do Planalto, Barros presta depoimento ao colegiado depois de ter sido implicado no escândalo da vacina indiana pelo deputado Luis Miranda, que afirmou à comissão que, ao reportar indícios de corrupção no contrato da Covaxin a Jair Bolsonaro, o presidente da República alegou que o esquema era "coisa" do líder do governo na Câmara.
A Precisa Medicamentos tem, em seu quadro societário, a Global Saúde, que, durante a gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde, aplicou um golpe no governo federal -- a empresa recebeu 20 milhões de reais, mas não entregou a leva de medicamentos de alto custo voltados a pessoas com doenças raras prevista em contrato.
"Eu não tenho relação pessoal com o senhor Maximiano. O recebi no gabinete como ministro, com a nossa equipe de compras. E está registrado que a última vez que nos encontramos foi quando eu era ministro. Nunca tratei de Covaxin, em nenhum momento tratei de qualquer assunto relativo à venda da Covaxin", disse.
O deputado ainda alegou que jamais atuou em favor da empresa no processo de negociação com o governo Jair Bolsonaro. Barros disse, inclusive, que não detém indicados no Ministério da Saúde. "As pessoas que eu trouxe para Brasília -- cinco apenas --, quando fui ministro, todas elas foram para o governo do Paraná", assegurou.
"Em nenhum momento, ninguém ligado a esta empresa ou a este laboratório Covaxin me procurou nesse período. Não tive nenhum contato com nenhuma das pessoas envolvidas nisso. Nunca me procuraram para auxiliar na venda de vacinas para o Brasil, que é um objetivo de todos nós, mas, nesse caso, nunca fui procurado, e os senhores já sabem disso porque todas as pessoas que tramitaram pelas mãos de quem tramitou o processo já afirmaram isso aqui nesta CPI", emendou.
Autor da emenda que abriu espaço para a importação da Covaxin, Barros alegou que não o fez para favorecer a empresa. O deputado fez uma modificação em uma medida provisória que dava autorização para a importação e distribuição de quaisquer vacinas e medicamentos não registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, contanto que fossem aprovados por autoridades sanitárias de outros países. A modificação por ele sugerida incluiu a Central Drugs Standard Control Organization, da Índia, na lista de agências habilitadas.
"Eu nem sabia que a Precisa representava a Covaxin ao momento da apresentação da emenda. Era um fato totalmente desconhecido da minha parte", sustentou. "A Índia é o maior fabricante de vacinas do mundo. Então, era absolutamente natural que ela tivesse a possibilidade de que os estudos feitos lá fossem aproveitados pela Anvisa e pelo governo federal."
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Comentários (2)
MARCOS
2021-08-12 14:53:05A velhinha de Taubaté acreditou.
PAULO
2021-08-12 14:06:12O silêncio do Bolsonaro comprova que ele apontou o seu líder na Câmara Ricardo Barros, como o líder na negociata da Covaxin. Todos os fatos que tomamos conhecimento, demonstram que RB é um cretino insensível. Fez negócio com a Global do Max, causando mortes, e buscou expor os brasileiros como cobaias na Covaxin.