Estudo sobre mortes por Covid-19 usado por Bolsonaro 'não era conclusivo', diz auditor
Auditor do Tribunal de Contas da União, Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques (foto) declarou nesta terça-feira, 17, que o "estudo paralelo" por ele elaborado que contesta o número de mortes provocadas pelo novo coronavírus no país "não era conclusivo". O servidor foi o responsável pela inclusão do material no sistema da corte de contas, como...

Auditor do Tribunal de Contas da União, Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques (foto) declarou nesta terça-feira, 17, que o "estudo paralelo" por ele elaborado que contesta o número de mortes provocadas pelo novo coronavírus no país "não era conclusivo". O servidor foi o responsável pela inclusão do material no sistema da corte de contas, como revelou Crusoé.
O funcionário público foi convocado a depor na CPI da Covid após Jair Bolsonaro divulgar o relatório intitulado “Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid” como se fosse um material oficial do TCU. O presidente da República usou o material, de autoria de Alexandre, para alegar que metade das mortes decorrentes da doença registradas no ano passado, na verdade, tiveram outras causas.
Na CPI, Alexandre afirmou que produziu o estudo com base em dados do Portal da Transparência do Registro Civil, mantido pela Associação Nacional dos Registradores das Pessoas Naturais, "para provocar um debate junto à equipe de auditoria" sobre a possibilidade de eventuais inconsistências nas notificações causarem uma "distribuição dos recursos federais sem equidade e sem proporcionalidade às reais necessidades de cada ente".
Ele contou ter enviado o documento aos colegas via Microsoft Teams, na tarde de 31 de maio, para que fizessem críticas, sugestões ou apontamentos. Alexandre, porém, disse que, na sequência, teve uma conversa com a coordenadora da equipe e que os dois concluíram que "seria impossível haver um conluio para, deliberadamente, supernotificar os casos de óbito de Covid-19".
"Em nenhum momento, afirmei que houve supernotificação de óbitos por covid-19 no Brasil. Apenas havia compilado algumas informações públicas para provocar um debate junto à equipe de auditoria. A pandemia da covid-19 afeta gravemente a vida de tanta gente. Eu, assim como milhões de brasileiros, perdi pessoas próximas a mim por conta dessa doença", disse.
Depois do debate inicial, Alexandre alegou que salvou o arquivo no Teams para o caso de querer revisitar o assunto adiante e o compartilhou com o pai, o coronel da reserva Ricardo Silva Marques, gerente executivo de Inteligência e Segurança da Petrobras, cargo que ocupa por indicação de Jair Bolsonaro. "Em nenhum momento, passou que ele compartilharia o arquivo com quem quer que fosse", completou.
O coronel, porém, segundo confirmou Alexandre, encaminhou o documento ao presidente da República. O auditor disse, mais uma vez, que o material foi usado indevidamente e que, quando enviado a seu pai, não estava em papel timbrado, nem tinha qualquer referência ao TCU, o que o leva a pressupor que o estudo foi adulterado. Alexandre acrescentou que não sabe quem pode tê-lo falsificado.
"Não vi o texto que o presidente apresentou. Eu recebi via WhatsApp um arquivo em PDF que viralizou que havia destaques grifados em amarelo e a inscrição do tribunal de Contas da União na parte superior”, disse, frisando que esta versão não é correspondente à incluída por ele no Teams.
Alexandre ainda alegou não conhecer a família Bolsonaro pessoalmente, mas admitiu que o pai mantém "relações de contato" com o presidente da República. "Eles foram colegas na Academia Militar das Agulhas Negras e trabalharam juntos no Exército", lembrou.
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Comentários (4)
MARCIA
2021-08-18 06:21:02Se A eficácia da vacina não é conclusiva; A segurança da vacina não é conclusiva; A função protetora da máscara não é conclusiva; Por que a pesquisa aqui mencionada deveria ser? Vivemos um cenário de pura especulação, que demanda igualdade especulativa.
MARCOS
2021-08-17 14:28:02Colocou a culpa no bolsonaro.kkkkk
Jose
2021-08-17 13:46:54Pronto. Não falta mais nada. Cadeia para o Bozogenocida o mais rápido possível. Ele falsificou documentos para justificar a sua política genocida. Zurrem Bozistas, zurrem! O fim de vocês está chegando!
Eduardo
2021-08-17 11:41:11Psicopata nunca será conclusivo. Ainda bem.