A transferência de Bolsonaro para a Papuda e a esperança de seus aliados
Apesar das críticas a Alexandre de Moraes, integrantes do bolsonarismo já falam na abertura de diálogo com o integrante do STF
Se, publicamente, aliados de Jair Bolsonaro repudiaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente da carceragem da Polícia Federal (PF) para uma cela na Papudinha, intramuros, no entanto, a avaliação de parlamentares do PL é totalmente diferente.
Para os congressistas aliados do ex-presidente, principalmente entre aqueles da chamada ala mais moderada do bolsonarismo, a decisão de Moraes pode representar o início do distensionamento das relações entre o magistrado e integrantes da família. O desafio agora, na visão desse núcleo, é convencer a ala mais radical do clã (leia-se os filhos Carlos e Eduardo) de que vale uma aproximação com Moraes de olho na decretação da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro.
Antes de determinar a transferência do ex-chefe de Poder Executivo, Moraes teve uma conversa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em seu gabinete. A reunião – em caráter informal e que não constou na agenda oficial de Moraes - foi intermediada pelo vice-presidente da Câmara Altineu Côrtes (PL-RJ). Na conversa, Michelle reforçou o apelo em prol do marido e reforçou que os problemas de saúde dele são crônicos e que demandam cuidados.
Nesta semana, Michelle já havia procurado o ministro Gilmar Mendes e fez o mesmo apelo. Apesar de não ter conseguido a prisão domiciliar, a esperança agora é que, ao menos, tenha se aberto um canal de diálogo para que essa medida seja decretada nos próximos meses.
Conforme apurou Crusoé, a esperança agora dos advogados que cuidam do caso é que os bolsonaristas mais radicais atenuem o discurso contra Alexandre de Moraes. Assim, acreditam que o magistrado pode se sensibilizar e mandar o ex-presidente para a sua residência, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Ao determinar o cumprimento da pena na Papuda, Moraes deu vários recados ao bolsonarismo. O mais incisivo deles: prisão não é colônia de férias.
“Essas condições [da prisão na PF] absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir, ao comparar a Sala de Estado Maior a um ‘cativeiro’”, declarou Moraes.
Na Papudinha, Bolsonaro está abrigado em um espaço de área total de cerca de 65 m², com quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa. Também foram flexibilizados os horários de banho de sol (em horário livre) e, no local, há a possibilidade de instalação de equipamentos de exercício físico.
O ministro também ampliação o tempo de visitas e o número de refeições diárias ao ex-presidente. Apesar disso, Moraes barrou a liberação de uma smartTV para Bolsonaro.
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