O que saber sobre as eleições de Israel nesta terça-feira
Disputa envolve o futuro de Netanyahu, o custo de vida e a isenção militar dos judeus ultraortodoxos
Israelenses vão às urnas na próxima terça, 27, em uma eleição que pode ser considerada um referendo sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A votação será a primeira eleição desde o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, que resultou no sequestro de 251 reféns e assassinato de 1.200 pessoas.
Netanyahu, do partido Likud, disputa a permanência no poder com diversos adversários. O principal deles é o ex-chefe do Estado-Maior, Gadi Eisenkot, do partido centrista Yashar.
Centro e direita
O diretor acadêmico do StandWithUs Brasil, Samuel Feldberg, avalia que a eleição terá como principal eixo a rejeição a Netanyahu.
A disputa, segundo ele, não se resume à divisão tradicional entre direita e esquerda.
“O mais significativo dessa eleição é que ela é plebiscitária. O grupo de oposição tem um elemento aglutinador: não quer que Netanyahu fique no poder. Só tem partido de centro e de direita. Não é direita contra esquerda. Não é como democratas e republicanos”, afirma.
O alto custo de vida
O custo de vida, o preço da moradia na região central do país e a carga tributária estão entre as preocupações dos eleitores israelenses.
Esses fatores se somam às discussões sobre segurança e ao desgaste político do governo após os ataques de outubro de 2023.
Parte do eleitorado israelense atribui a Netanyahu alguma culpa pelo massacre do grupo terrorista.
Outro grupo acredita que qualquer primeiro-ministro enfrentaria o mesmo problema e que Netanyahu teria reagido firmemente.
Judeus ultraortodoxos
A isenção do serviço militar para judeus ultraortodoxos é outro tema central da campanha.
A questão provoca debate entre o governo, partidos religiosos e setores laicos da sociedade israelense.
Os reservistas são convocados repetidamente para cobrir as dispensas do alistamento dos ortodoxos.
Feldberg também aponta o descontentamento quanto ao financiamento público de comunidades ultraortodoxas.
“Você tem a disputa entre os laicos e os ortodoxos, que se concentra em duas questões: o alistamento militar, que o governo permite que os ortodoxos não cumpram. Os reservistas precisam ficar mais tempo do que o normal. Outra é a questão da remuneração dos ortodoxos às custas dos pagadores de impostos”, afirma.
Pesquisas
Levantamentos recentes indicam a possibilidade de uma maioria parlamentar de partidos contrários a Netanyahu, mas não necessariamente uma maioria capaz de formar governo.
Isso nunca ocorreu na história de Israel.
A eleição definirá a composição dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense. Para formar um governo com maioria, são necessárias pelo menos 61 cadeiras.
A liderança do país será decidida por meio de negociações para formar uma coalizão governista.
Na pesquisa mais recente do portal Walla citada nesta reportagem, o Yashar, de Gadi Eisenkot, aparece com 23 assentos, ante 19 do Likud, de Netanyahu.
Mesmo que o bloco contrário ao primeiro-ministro conquiste mais cadeiras, a formação de um novo governo dependerá de negociações entre partidos com diferenças ideológicas e interesses distintos.
Cidadãos árabes
Os cidadãos árabes poderão ser o fiel da balança.
Eles representam um quinto da população de Israel e têm representação em dois partidos.
Eles contam com representação parlamentar por meio de partidos como a Lista Conjunta e o Ra'am.
O Ra'am rompeu uma barreira histórica em 2021 ao participar da coalizão que sustentou o governo de Naftali Bennett e Yair Lapid, encerrando temporariamente o longo período de Netanyahu à frente do Executivo.
Feldberg avalia que os partidos árabes poderão ter peso determinante caso os blocos rivais terminem a eleição sem uma maioria clara.
"Vão ser o fiel da balança. Se estiver empatado, se tiver por exemplo cinquenta e oito cadeira nos dois blocos, são 116 cadeiras, se os árabes tem quatro são fiel da balança. Eles devem ter em torno de catorze cadeiras, os dois partidos árabes. Eles são vinte por cento da população."
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