Cunha reclama da Justiça Eleitoral após não se eleger de novo
Ex-presidente da Câmara apontou "prejuízo eleitoral sem precedentes" por demora para o TSE julgar recurso sobre sua candidatura
O deputado federal cassado Eduardo Cunha (foto) colocou na Justiça Eleitoral a culpa de sua derrota na tentativa de retornar à Câmara dos Deputados por Minas Gerais na eleição deste ano. Ele já não tinha sido eleito em São Paulo em 2022.
"Eu disputei a eleição para deputado federal por Minas Gerais, mas tive os meus votos anulados sub judice, em função de uma impugnação acolhida pelo TRE-MG, que simplesmente resolveu declarar uma lei complementar inconstitucional", reclamou o ex-presidente da Câmara em artigo publicado no site Poder360, no qual tem uma coluna.
"Por óbvio, eu recorri, mas não houve tempo, até a data da eleição, de o meu recurso ser apreciado pelo TSE, o que culminou em um prejuízo eleitoral sem precedentes. Com a divulgação maciça de que os votos na minha candidatura não seriam válidos, aqueles que gostariam de votar em mim ficaram em uma situação de dúvida, pois ninguém gosta de perder o seu voto", segue Cunha no texto, no qual alude ao exemplo do processo do ex-governador Anthony Garotinho, que conseguiu colocar seu nome na urna na disputa pelo governo do Rio de Janeiro apesar de estar inelegível.
"Reforma eleitoral urgente"
"Isso a despeito de o próprio TSE ter aplicado a Lei Complementar 219 de 2025 no julgamento da candidatura de Anthony Garotinho, em 8 de outubro, afastando uma das causas de inelegibilidade do ex-governador. A constitucionalidade da lei ainda é discutida em uma ação em andamento no STF. A decisão possivelmente não será proferida tão cedo. O mais provável é que, mesmo que a lei seja declarada inconstitucional, os seus efeitos sejam modulados para valerem no futuro", reclamou Cunha, que pede uma "Reforma eleitoral urgente", o título de seu artigo.
Garotinho acabou desistindo do recurso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) prevaleceu e seus votos não foram contatos, o que deu a Douglas Ruas (PL) a eleição em primeiro turno.
Cunha disse que acredita que seu recurso ao TSE será acolhido, porque o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não deliberou sobre a mudança na Ficha Limpa que permitiria sua candidatura, mas que o estrago já está feito.
"O resultado disso foi que, sendo atacado por todos os lados com essa narrativa falsa de que eu seria inelegível, acabei com 32.075 votos de resilientes eleitores, que ainda acreditaram que eu reverteria a situação no TSE. Essa votação me coloca só na 2ª suplência do meu partido, que conquistou apenas 3 cadeiras de deputado federal", lamentou o deputado cassado.
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