O caro, insignificante e previsível voto da elite no exterior
Tribunal Superior Eleitoral gasta 13 milhões de reais para realizar votação em 134 países. Quem paga a conta?
Os 918 mil brasileiros com direito a votar em 134 países representam 0,58% do total de eleitores.
É uma fração insignificante, menor do que a população de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ou de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Apesar disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou 13,2 milhões de reais para a realização dessas eleições.
Dividindo esse valor pelo número total de brasileiros aptos a votar no exterior este ano, dá cerca de 14 reais.
Considerando apenas os brasileiros que efetivamente votaram no segundo turno de 2022, a conta fica 37 reais.
Ou seja, o contribuinte brasileiro gasta 37 reais para cada voto efetivamente dado pela elite que vive fora do país.
Vale a pena?
Leia em O Antagonista: Lula lidera primeiros boletins das eleições no exterior
Previsibilidade
Além de caro, o voto no exterior é previsível.
Lula costuma vencer nos países da Europa, onde há muitos estudantes universitários, pesquisadores e funcionários públicos brasileiros.
No segundo turno de 2022, o petista venceu na França por 82% a 17% de Jair Bolsonaro.
Em Portugal, Lula ganhou por 64% a 36%. É o segundo país com mais eleitores cadastrados: 134 mil.
No Reino Unido, de 60% a 39%.
Jair Bolsonaro se deu melhor nos países que atraem trabalhadores e empreendedores brasileiros.
Nos Estados Unidos, país com mais eleitores registrados, 265 mil, Bolsonaro ganhou de 65% a 34%.
No Japão, de 83% a 16%.
Essa é a regra geral, que tem tudo para ser repetida este ano.
Dois países também têm chamado a atenção.
O primeiro é Cuba, onde apenas 92 brasileiros estão registrados para votar.
Na ditadura da ilha comunista, Lula teve 90% dos votos em 2022.
O segundo é Israel, onde Jair Bolsonaro ganhou de 61% a 38% no segundo turno.
O que tem ajudado Jair Bolsonaro nas últimas eleições foi o antissemitismo da esquerda, que acabou empurrando muitos israelenses para a direita.
Os posicionamentos internacionais de Lula contra o Estado de Israel também entraram nessa conta.
Além disso, Bolsonaro se aproximou dos judeus e do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que, por sua parte, aproximou-se dos brasileiros evangélicos.
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