Lula encerra campanha no Rio sem Eduardo Paes
Ex-prefeito administra a proximidade com o petista para não afastar eleitores de Flávio Bolsonaro
O presidente Lula realizou nesta sexta-feira, 2, o seu último ato de campanha à reeleição no Rio de Janeiro.
Em cima de um carro, acenava para os seus apoiadores.
Ao lado dele, estavam os candidatos ao Senado Pedro Paulo (PSD) e Benedita da Silva (PT), o prefeito da capital, Eduardo Cavalieri, e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
Chamou a atenção, porém, a ausência do ex-prefeito do Rio e candidato ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD).
Paes cumpriu agenda com prefeitos da Baixada Fluminense durante uma caminhada.
Paes é mesmo Lula?
A tentativa de Paes de esconder a imagem de Lula na reta final da campanha é clara.
Seu principal adversário, Douglas Ruas (PL), acusou o ex-prefeito de não fazer campanha na reta final para seu aliado.
"Tem gente que recebe o Lula, faz agenda e não posta nas redes sociais. Eduardo Paes faz campanha para o Lula, fizeram uma carreata e ele sequer fez uma postagem”, disse Ruas durante o debate da TV Globo na terça-feira, 29.
Paes sequer fez menção ao petista, como em outras ocasiões.
O ex-prefeito sabe que precisa de votos de eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL) para ser eleito ao Palácio Guanabara.
Pesquisa RealTime mostra que Flávio tem 52%, ante 41% de Lula em um cenário de segundo turno no Rio.
No primeiro turno, o candidato do PL soma 44%, contra 35% do petista.
Paes também viu sua vantagem sobre Ruas despencar.
Proximidade
Embora se distancie de Lula nesta reta final, o passado dos dois tem pontos de aproximação.
Paes venceu a eleição para a Prefeitura do Rio em 2008 com apoio do PT no segundo turno.
Lula participou da campanha e gravou manifestações de apoio ao então candidato do PMDB.
Em 2024, já no PSD, Paes recebeu novamente o apoio político de Lula e do PT para disputar a Prefeitura do Rio.
O presidente participou de agendas de campanha em apoio à candidatura do prefeito.
A proximidade, portanto, não é de agora.
Lula e Paes já dividiram palanques em diferentes eleições e voltaram a aparecer juntos nesta própria campanha.
Em 24 de setembro, por exemplo, os dois caminharam lado a lado em São Gonçalo.
Agora, na reta final, Paes parece preferir que essa proximidade fique menos visível.
O desafio do ex-prefeito é administrar esse recuo estratégico sem que a distância de Lula seja interpretada pelo eleitor como um abandono de um aliado de longa data.
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Comentários (1)
Juarez Borges
2026-10-02 16:52:34Bom sinal...