Por que Lula caiu entre beneficiários do Bolsa Família
Pesquisa BTG/Nexus apontou queda de dez pontos do presidente nesse segmento
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda, 13, apontou uma queda de dez pontos no apoio ao presidente Lula entre os beneficiários do Bolsa Família na intenção de voto do primeiro turno.
Na pesquisa anterior, do dia 29 de junho, o petista tinha um apoio de 68%.
Na atual, caiu para 58%.
Em contrapartida, o apoio ao senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, subiu de 13% a 25%.
A explicação pode ser de ordem econômica.
"A economia está ruim ou péssima para 53%, cinco pontos a mais em relação a maio. Cerca de 44% acham que a economia está pior do que no governo anterior, e 38% dizem que está melhor", afirma o cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé.
"A perda de dez pontos entre beneficiários do Bolsa Família para o Lula, então, pode ser sinal de que a inflação de alimentos começou a cobrar um preço de popularidade."
Barreto também acredita que a pesquisa BTG/Nexus traz sinais preocupantes para o presidente.
"Mesmo com todo o esforço fiscal e de publicidade, seu índice de avaliação do governo recuou três pontos e atingiu 35%, lembrando que o ponto de reeleição é de 40%", afirma o cientista político.
Segmento
Os beneficiários do Bolsa Família são o segmento que mais tem dado apoio ao presidente.
Pesquisa de fevereiro do Instituto Paraná encontrou que, de todos os grupos, aquele que mais considera que Lula merece um quarto mandato é o que recebe o Bolsa Família: 63,8% dos beneficiados apoiam o presidente.
O segundo grupo mais pró-Lula é o de eleitores do Nordeste, onde 59,2% acham que ele merece a reeleição.
Dividendos eleitorais
Muito já se discutiu no Brasil sobre o poder eleitoral do Bolsa Família.
No primeiro governo Lula, que começou em 2003, o PT preferiu trocar a distribuição de alimentos dentro do programa Fome Zero pelo Bolsa Família, pensando nos dividendos eleitorais da transferência direta de renda para contas bancárias de brasileiros carentes.
Durante a campanha presidencial de 2022, muitos analistas entenderam que o Bolsa Família já tinha perdido muito da sua capacidade de influenciar o voto, uma vez que o programa foi mantido durante o governo de Jair Bolsonaro.
A população, assim, já entende o Bolsa Família como uma conquista que está garantida, independentemente do presidente de turno.
Além disso, mesmo que ganhem o Bolsa Família, os brasileiros também se queixam dos demais problemas do Brasil, como a criminalidade e o elevado custo de vida. Sendo assim, mesmo pessoas atendidas pelo programa podem votar em um oponente do petista.
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