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Edição Semana 426

Quando o dinheiro senta à mesa, a polarização levanta

A questão não é saber se o Master era de esquerda ou direita, mas como um banco com problemas conseguiu construir tanto acesso político

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Wilson Pedroso
4 minutos de leitura 26.06.2026 03:30 comentários 1
Quando o dinheiro senta à mesa, a polarização levanta
Foto: Carlos Moura/ Agência Senado
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O Brasil passa boa parte do tempo discutindo quem está de um lado e quem está do outro.

No Caso Master, essa divisão desapareceu.

Daniel Vorcaro circulou pela direita, pelo centro e pela esquerda. Falou com gente do governo, da oposição e do Congresso. Quando o banco entrou em colapso e a investigação avançou, cada grupo tentou empurrar o problema para o colo do adversário.

Na semana passada, a Polícia Federal chegou a Jaques Wagner (a direita na foto), líder do governo Lula no Senado. O senador nega ter recebido vantagens ou atuado em favor do banco.

Antes dele, o caso já havia atingido Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro (à esquerda na foto).

Flávio admitiu ter procurado Vorcaro para buscar financiamento para um filme sobre o pai, mas rejeita qualquer irregularidade.

Não cabe condenar ninguém antes da apresentação das provas. Busca policial não é sentença, amizade não é crime e conversa não comprova contrapartida.

Mas a fotografia política já está na mesa.

Polarização

A polarização funciona muito bem no palanque.

Ela organiza o eleitor, mobiliza as redes sociais e cria a sensação de que o país está dividido entre dois projetos que jamais se encontram.

O dinheiro trabalha de outra forma.

Quem busca influência não escolhe apenas um campo. Abre portas no governo, mantém pontes com a oposição e procura interlocutores no Congresso.

É o que se chama de poder em rede. Não existe, necessariamente, um comando central ou uma grande conspiração.

Existe acesso.

Um conhece o senador. Outro fala com o ministro. Um terceiro chega ao regulador. Alguém leva o recado, outro abre a agenda e outro tenta resolver o problema.

Vorcaro parece ter entendido Brasília antes de muita gente que vive nela.

Quando o caso atingia Flávio Bolsonaro, o governo tratava o Master como prova da proximidade entre o banco e o bolsonarismo.

Quando a investigação alcançou Jaques Wagner, aliados pediram cautela, respeito e presunção de inocência.

Davi Alcolumbre saiu em defesa de Wagner. A manifestação pode ser legítima, mas também revela uma regra antiga de Brasília: as garantias constitucionais costumam ganhar mais defensores quando o investigado está perto.

A oposição fez o caminho inverso.

Antes, relativizava as conexões de seu campo. Agora, usa Wagner para dizer que o escândalo chegou ao coração do governo.

Os personagens mudaram de posição. O comportamento permaneceu.

O que realmente importa

Em O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, a elite aceita mudar a aparência das coisas para preservar o que realmente importa.

No Caso Master, cada lado tenta mudar a narrativa para salvar seu núcleo político.

O PT quer transformar Vorcaro em personagem da direita. A oposição quer colocá-lo dentro do Palácio do Planalto. O centro tenta baixar a temperatura sempre que a apuração se aproxima de suas relações.

Só que o banco não respeitou essas fronteiras.

Essa é a parte mais incômoda da história. A direita, o centro e a esquerda não aparecem como blocos separados, mas como ambientes visitados pelo mesmo grupo econômico.

Isso não torna todos culpados. Torna todos obrigados a dar explicações.

A questão não é saber se o Master era de esquerda ou de direita.

A questão é descobrir como um banco com problemas conseguiu construir tanto acesso político antes de sua liquidação.

É preciso saber se houve pressão sobre autoridades, atuação parlamentar, facilitação regulatória ou qualquer decisão pública ligada a interesses privados.

Essa ligação precisa ser demonstrada com documentos, datas, valores e atos concretos.

Sem isso, teremos relações constrangedoras e politicamente relevantes, mas não necessariamente crimes.

A investigação precisa avançar sem a torcida que tomou conta do país.

Quem exigiu rigor contra o adversário terá de aceitar rigor contra o aliado. Quem pediu presunção de inocência para o amigo terá de conceder a mesma garantia ao inimigo.

O Caso Master deixou uma imagem difícil de apagar.

Na arquibancada, esquerda e direita continuam brigando.

Na mesa do poder, todos conheciam alguém.

Wilson Pedroso é consultor eleitoral, analista político e sócio estrategista da Realtime Big Data

X: @wilsinhopedroso

Instagram: @wilsinhopedroso

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

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Wilson Pedroso

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Comentários (1)

Andre Luis dos Santos

2026-06-27 12:53:45

Excelente! Na minha opinião, a vasta maioria desses VAGABUNDOS DESQUALIFICADOS de Brasília estava no bolso desse "banqueiro" VAGABUNDO.


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Andre Luis dos Santos

2026-06-27 12:53:45

Excelente! Na minha opinião, a vasta maioria desses VAGABUNDOS DESQUALIFICADOS de Brasília estava no bolso desse "banqueiro" VAGABUNDO.



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