Moraes convoca o STF Futebol Clube
Investigação de ofício dentro do inquérito das fake news busca constranger funcionários da Receita, que foram punidos exemplarmente
Na reunião vazada do Supremo Tribunal Federal (STF), em que o ministro Dias Toffoli foi constrangido a deixar a relatoria do caso Master, Flávio Dino afirmou que era contra qualquer arguição de suspeição.
“E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF Futebol Clube”, disse Dino.
O que Dino quis dizer é que, não importa o que os magistrados possam ter cometido de errado, o tribunal deve se colocar em primeiro lugar, blindando a si próprio e a todos os seus onze integrantes (neste momento, dez integrantes).
Nesta terça-feira, 17, de Carnaval, o ministro Alexandre de Moraes (foto) resolveu convocar o STF Futebol Clube para proteger a si próprio e a outros ministros do tribunal.
De acordo com uma nota oficial, o STF realizou uma investigação para apurar "possível vazamento indevido de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares".
Teriam sido "constatados diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas. As investigações iniciais demonstraram, conforme relatório enviado pela Receita Federal ao STF, a existência de 'bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional'”.
A história tem múltiplas irregularidades.
A primeira é que o STF, novamente, não foi provocado pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal. Trata-se de mais uma investigação de ofício, isto é, por iniciativa própria da Corte.
Na nota do STF desta terça, afirma-se que "os investigados prestarão depoimentos à Polícia Federal, que prosseguirá nas investigações". A PF, portanto, só assumirá os trabalhos a partir deste momento.
Como bem lembrou Rodolfo Borges, em um artigo para O Antagonista, esta nova investigação se dá dentro do inquérito 4781, conhecido com o inquérito das fake news.
Quando, em 2019, esse inquérito teve início, a Receita também estava investigando dados de ministros da Corte. Entre eles estavam Gilmar Mendes e Dias Toffoli, com suas respectivas esposas Guiomar e Roberta Rangel (hoje ex-esposas).
O inquérito das fake news, assim, foi uma forma de parar as investigações em andamento e intimidar a imprensa livre, incluindo esta revista Crusoé.
São os magistrados se blindando de maneira descarada, de novo.
Em segundo lugar, Moraes aparece como vítima dos vazamentos e juiz no comando da investigação, o que mais uma vez joga por terra a sua imparcialidade.
O objetivo agora é intimidar todos os funcionários da Receita Federal, para que pensem duas vezes antes de acessar qualquer dado de magistrado do STF.
Os quatro investigados foram citados nominalmente na nota oficial e foram punidos exemplarmente, com medidas duras, como afastamento do trabalho, busca e apreensão domiciliar, recolhimento domiciliar e retirada de passaporte.
Para preservar seus integrantes sob suspeita, o STF Futebol Clube joga pesado.
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Comentários (2)
S ão T odos F ilhos da...
Denise Pereira da Silva
2026-02-17 18:02:36Humilhados e acuados, só resta aos iluminados se esconderem atrás de uma cortina de fumaça. Os brasileiros precisam tomar conhecimento das ações hipócritas praticadas pelos supremos.