ChatGPT começa a testar anúncios
Chegada de anúncios ao ChatGPT abre debate sobre confiança do usuário e possível influência comercial nas respostas de sistemas de IA
A conversa com um robô agora também pode virar espaço publicitário. A OpenAI iniciou testes para exibir anúncios dentro do ChatGPT, numa mudança que altera a lógica de financiamento do serviço e ajuda a explicar por que a empresa passou a falar abertamente em ampliar acesso gratuito à ferramenta.
A companhia afirma que a ideia é manter a versão sem cobrança enquanto busca novas receitas para sustentar a expansão do uso de inteligência artificial. Em texto publicado em seu site, diz que publicidade será separada das respostas e identificada de forma clara para evitar confusão entre conteúdo comercial e informação. O material também garante que os anunciantes não terão acesso ao conteúdo das conversas privadas dos usuários.
Inicialmente esse novo modelo tem um funcionamento limitado. Os anúncios aparecem em alguns resultados ou sugestões, de forma contextual, e não dentro da resposta principal do chatbot.
O risco é que, diferentemente de um buscador, o chatbot não apenas lista links, ele formula respostas completas, o que levanta a dúvida sobre possível influência comercial no conteúdo gerado.
A OpenAI afirma que os anúncios ficarão fora da resposta principal e claramente marcados, mas pesquisadores e profissionais de marketing discutem se, no longo prazo, a pressão por receita poderia afetar recomendações, avaliações de produtos ou comparações entre marcas, ainda que de forma indireta.
A principal preocupação do mercado é a confiança do usuário, vista como decisiva para a adoção ampla dos sistemas de inteligência artificial.
A implementação já começou de forma gradual e em mercados específicos, com a empresa tentando equilibrar custos crescentes de computação e energia, pressionados pelo aumento acelerado de usuários, com a necessidade de manter milhões de pessoas usando a versão gratuita.
Os anúncios ganharam repercussão após o debate público entre empresas do setor. O diretor-executivo Sam Altman ficou claramente incomodado com a campanha da rival Anthropic, que divulgou comerciais ironizando a novidade do ChatGPT. Altman afirmou que o desafio econômico da inteligência artificial é treinar e operar modelos, o que custa caro e exige novas fontes de receita além de assinaturas corporativas.
Esse movimento aproxima o ChatGPT do modelo já consolidado de redes sociais e buscadores, como Facebook e Google, que dependem de publicidade para financiar escala e infraestrutura.
O LinkedIn virou espaço de discussão sobre como cobrar por sistemas generativos, e a dúvida recorrente é quem paga pela computação quando milhões de usuários fazem perguntas diariamente.
A decisão da OpenAI também pretende viabilizar a manutenção do acesso gratuito, manter uma base ampla de usuários, coletar feedback e consolidar presença num mercado em que concorrentes avançam rápido.
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